Hiato


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Nem sempre os espaços ou ausências criam motivos de satisfação. Em meu caso presente uma carência se revela ao destacar o vazio sentido durante o período em que leitores e eu abrimos hiato aqui na prestigiosa página 2 deste Comércio, cujo carinho e competência do editor Luiz Neto lidam muito bem com formação de consciência. Graças aos princípios de liberdade aqui defendidos pelo GCN, opinião e seriedade objeto de seus registros, gozam do apreço e respeito da unanimidade regional.

Meu retorno seria de pleno prazer e alegria, considerado somente o fato de outra vez encontrarmos nesta livre tribuna para o debate de temas visando à construção de uma sociedade cujas necessidades estivessem atendidas em magnitude desejada. No entanto, as mazelas, o comportamento político de muitos daqueles a quem outorgamos direitos de gestão por nós, frustram nossos desejos e prioridades claras verificadas em sistemas de educação, saúde e segurança, isto para cingir-nos a estes aos quais poderíamos fazer alinhar-se uma centena de outras prevalências imexíveis.

Não fora a escorregadela das representações políticas que invariavelmente podemos ler como má fé ou interesse próprio. Para o articulista, prazeroso seria enaltecer feitos gestores de crescimento social. Estamos chegando ao ponto de também lamentar nova qualificação para os luminares de nossa escolha: – escolha que a eles nos associa – despreparação e burrice.

Nos últimos dias este jornal tem se ocupado da movimentação camarista local à caça de benefícios para os de sempre, eles: férias prolongadas, remuneração e alteração do número de cadeiras de 15 para 23. Assim ocorrendo, a gastança na Câmara haverá de se multiplicar sem qualquer retorno para a comunidade. Parece-nos, entretanto, que a vigilância atenta, consciente e constante do jornalista Edson Arantes da área política do Comércio da Franca vem cumprindo adequadamente sua missão de alertar incautos eleitores e seus beneficiários abancados em funções públicas onde a norma deveria ser a luta por conquistas do coletivo. Prova da ação midiática está no recuo desenhado pelos vereadores.

Sem que nada se possa fazer, diariamente se conhece atrocidades emanadas dos poderes da república onde poderosos são inculpados de flagrantes armações já identificadas pela PF. Pessoas morrem em corredores de hospitais por negligência, drogados matam pais, assaltam acontecem à luz do dia, a paternidade irresponsável abandona crianças ao relento sem que a Câmara Federal sinta sensibilidade com isso. Sua prioridade do momento, segundo o deputado que elegemos, é canina.

A taça de ouro da temporada por desenvoltura da inteligência e priorização nacional da carência dos animais de estimação coube ao deputado Marco Aurélio Ubiali, autor do projeto que aumentará a lentidão do judiciário enquanto o juiz decidirá o destino do pobre cãozinho de coleira de ouro cravejada de brilhantes ou da gatinha Mimi na gaiola de prata forrada de lamê e cetim. Para bater em nossas costas pedindo voto, devem ser exigidos inteligência e trabalho.

Garcia Netto
Jornalista

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