“A primavera chegará,
Mesmo que ninguém mais
saiba seu nome,
Nem acredite no calendário, nem possua
Jardim para recebê-la”.
Cecília Meireles
A nave mãe viaja pelo espaço e nos brinda com diferentes formas de distribuição de calor aqui neste chão da vida. Conforme vai se deslocando pelo espaço infinito, temos as estações do ano com suas características inconfundíveis. O calor do verão. A folha seca do outono, o friozinho do inverno. Neste momento a natureza nos mostra cada uma de suas faces.
Desde as últimas horas, vivemos nova estação. É a primavera que chegou. O caboclo valente se dirige para o roçado. Com labuta e suor, tomba a terra e prepara a semeadura, na esperança da duplicação da produção. A poeira vermelha do inverno seco vai dar lugar à brisa fresca da chuva que se aproxima do lado da Serra Encantada.
A chegada da primavera é sempre a da esperança. Da boa safra, de realizações. A mudança da paisagem pede que as pessoas também se transformem. O perfume das flores, agora em seu máximo de odores, é o remédio que o poeta estava esperando para início de sua nova criação.
A chuva caridosa desce junto com a estação, lavando a alma das pessoas, varrendo e purificando o ambiente. É a bênção da vida brotando dentro dos corações dos homens. É o cheirinho de terra molhada, juntamente com o cantar de felicidade dos pássaros que chega como um alívio para os corações aflitos. São as flores que se colhem e oferecem deixando bem claro as intenções. É a mão de Deus, por intermédio dos homens de fé, semeando a terra.
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