O grande fluxo de veículos na Avenida Brasil, zona leste de Franca, mudou a dinâmica das ruas vizinhas. Em busca de um trânsito com menos disputa por espaço e sem semáforos ou paradas obrigatórias, os motoristas transformaram as ruas Minas Gerais e São Paulo em rota de fuga. As vias, que são preferenciais e possibilitam um tráfego mais rápido, ficam lotadas principalmente nos horários de pico. O resultado é o aumento no número de acidentes nas ruas - quase o dobro de 2010.
Moradores e comerciantes da região da Avenida Brasil reclamam dos acidentes de trânsito, envolvendo todos os tipos de veículos. O número de ocorrências com ou sem vítimas já reflete o novo quadro. Segundo levantamento da Polícia Militar, em todo o ano passado a Rua Minas Gerais, por exemplo, registrou 24 ocorrências - média de duas por mês. Neste ano, até agosto, a média de acidentes quase dobrou e chegou a 3,5 por mês. Já na Avenida Brasil, a violência diminuiu de uma média de 14 acidentes por mês em 2010 para 12 este ano. Os números englobam apenas ocasiões em que a PM foi acionada e podem ser ainda maiores.
A grande frota de veículos e a necessidade de se locomover rapidamente são apontadas pelo secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, como as principais causas dos acidentes. “O carro não é mais uma necessidade, é uma obrigação.” Até julho deste ano a frota de Franca tinha 188.961 veículos. Em 2001, eram 98.232. Outro motivo para os acidentes, segundo o secretário, são as boas condições do asfalto das ruas Minas Gerais e São Paulo.
Ele diz que a realidade da Avenida Brasil e suas paralelas pode ser verificada em outras regiões da cidade. “O trânsito na Avenida Brasil é pequeno, porque a turma corre de semáforo. O local não é o único que apresenta esse tipo de problema. Os motoristas também fogem da Avenida Presidente Vargas e utilizam as ruas Santos Pereira e Prudente de Morais.”
MAIS RÁPIDO
Na Rua Minas Gerais, que tem sentido único - bairro/Centro -, o movimento é maior às 7h e às 13h. Já na Rua São Paulo, sentido Centro/bairro, o fluxo é intenso às 11h e às 17h, quando os trabalhadores voltam para casa. Elas são as principais vias para o Jardim Paulistano e Jardim Brasilândia.
Se a intenção dos “fujões” é economizar tempo, as ruas paralelas às avenidas são realmente as mais rápidas. A reportagem do Comércio fez o teste ontem às 17h. Como era horário de saída do trabalho, foi percorrido o sentido Centro/bairro. O trecho da Avenida Brasil, entre as avenidas Presidente Vargas e a Adhemar Pereira de Barros, que possui seis semáforos numa extensão de 2,3 quilômetros, foi percorrido em 6min44seg. Na Rua São Paulo, sem semáforos ou paradas obrigatórias, os 2,1 quilômetros foram cumpridos em 3min04seg.
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