Boquirroto e prolixo


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Até o bordão de campanha do Tiririca falhou. Antes de se eleger deputado federal, pelo seu marketing político, o eleitor poderia ficar à vontade, que pior do que estava não iria ficar. Ledo engano do agora nobre parlamentar. Um de seus ilustres colegas lançou projeto de lei para que os cachorros passem a ter direito de guarda. Melhorou ou piorou?

Não por culpa do Tiririca. Aliás, ele permanece calado durante as sessões da Câmara Federal. A coisa ficou pior mesmo foi por conta dos atos de outros deputados. Quando não é a volta de algum deles devido à atuação nebulosa no que se refere a pagamentos de assessores parlamentares desviados de funções, ocorre a apresentação de indicações legislativas totalmente descabidas no que se refere ao bem-estar da população.

Não importa a gradação do cargo parlamentar. Seja o representante do povo em nível federal, estadual ou municipal, somente surge prolixidade nas casas destinadas à votação de legislação. Além de longo e sem objetividade, o discurso de vereador ou de deputados torna-se boquirroto também.

Haja vista para a última reunião da Câmara Municipal. Um vereador não foi capaz de guardar segredo sobre o que fazia diante do monitor de um computador.

Em vez de fazer de conta que pesquisava o número de integrantes de outras casas de lei, disse candidamente que estava procurando informações sobre o Guaraná Jesus para se espairecer das duras discussões relativas aos aumentos variados em benefício deles mesmos.

Dura missão tem um vereador. Sofre pressão executiva e partidária para aprovar projetos de interesses escusos. De outra parte se vê na obrigação de legislar em causa própria. Além dos 6 dias de folga por semana, nada mais justo que se oficializem as férias de julho também. Esse novo descanso servirá tão somente para revigorar os ânimos parlamentares.

A síndrome de aumento não fica apenas nas novas férias. Afinal, o salário também necessita ser alterado para mais. Caso contrário, como desfrutar de novos dias parados na metade do ano?

Não fica só nisso a onda de aumentos. Acima de tudo paira a solidariedade profissional. O que seria de qualquer classe se não existisse o corporativismo?

Cada um dos vereadores acha pouco contar com apenas 14 nobres colegas. O ideal é que o número de companheiros passe para 22. Claro, a quantidade de habitantes da cidade suporta a carga de 23 parlamentares tranquilamente.

Mídia desalmada! População ingrata! Nunca se viu uma sessão da Câmara tão movimentada, como a da última quinta-feira. Com tanta gente presente, parecia entrega de título honorífico outorgado por algum vereador a um munícipe em plena tarde. Deixa estar. O povo vai se cansar desta vigília. Mais dia, menos dia, numa calada da noite, de preferência em sessão extraordinária, num lance rápido, bem ao estilo da Casa, haverá a unânime e tripla aprovação.

Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br

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