Com alegria a partir do coração de Deus nos reunimos, neste domingo, para ouvir a Palavra de Deus que será proclamada na assembléia eucarística. Hoje é dia do Senhor!
A cada dia sentimos “sede” de Deus e, quando chega o domingo, nosso coração se alegra pois o Senhor vem ao nosso encontro. Hoje, embora existam muitos homens e mulheres que dizem não precisar de Deus, o número dos que o procuram é maior. E todos que o buscam, encontram a sua face. Quais as leituras deste domingo? O que têm para nos ensinar?
A primeira leitura é um trecho do capítulo 55, do livro do profeta Isaías. As palavras contidas nesta leitura são dirigidas pelo profeta aos seus compatriotas exilados na Babilônia. Eles sabem muito bem o motivo pelo qual se encontram numa terra estranha; foram infiéis a Deus e não escutaram a palavra dos profetas. E agora o que esperam para o seu futuro? Nada; têm certeza que Deus nunca mais poderá perdoar os graves pecados que cometeram.
Erraram: julgam que Deus deva ser como eles, que alimente os seus mesmos sentimentos mesquinhos e as suas rasteiras reações, que se deixe levar pela ira, pela vingança, que não tenha disposição para esquecer mal. O erro deles consiste em imaginar um Deus à sua própria imagem e semelhança. Ele porém, é Deus, não é um homem. O seu modo de pensar e de agir não deixará jamais de surpreender .
Na leitura de hoje o profeta diz aos israelitas exilados na Babilônia e a todos os que continuam pensando como eles: Convertei-vos, mudai a vossa forma de pensar! A conversão que ele pede não é somente um afastamento dos pecados, da corrupção moral, é muito mais; é a mudança radical no modo de formar o conceito de Deus.
SEGUNDA LEITURA
A segunda leitura é composta por alguns versículos da carta de São Paulo aos Filipenses.A comunidade de Filipos foi fundada por Paulo e era composta por pessoas boas e generosas. O apóstolo estava preso, por causa do Evangelho, em Éfeso. Os filipenses tomam conhecimento da sua situação e enviam-lhe Epafrodito, para visitá-lo. Eles enviam roupas, alimentos e algum dinheiro. Epafrodito fica doente em Éfeso corre risco de morte. Quando se recupera, Paulo escreve a sua carta e a entrega para levá-la à comunidade.
A carta revela emoções doces, ternas que existem no coração de Paulo,. Por muitos anos trabalhou pela causa do Evangelho, suportou muitos sofrimentos e muitas contrariedades, agora sente-se bastante cansado e começa a pensar sempre com maior freqüência no encontro definitivo com aquele Jesus ao qual dedicou a sua vida de conversão. O apóstolo deixa claro que possui um desejo no coração: morrer para estar sempre com Cristo, apesar de pensar em continuar trabalhando para que o Evangelho seja sempre anunciado. Ele também deixa claro que está sempre nas mãos de Deus cumprindo a sua vontade.
PARÁBOLA DO PATRÃO
No Evangelho narrado por São Mateus, no capítulo 20, Jesus conta a parábola do patrão que acolheu trabalhadores, para a colheita na sua vinha, em várias horas do mesmo dia. Alguns começaram muito cedo, outros mais tarde, outros ainda mais tarde e alguns outros quase no final do dia, faltando apenas uma hora para o encerramento do trabalho. Na hora do acerto todos receberam a mesma quantia.
Surge então o questionamento: o patrão foi justo ou injusto? Torna-se necessário saber “porque” Jesus contou essa parábola: Com esta narração Jesus quer denunciar de uma forma extremamente dura (havia e ainda há necessidade) a religião dos “méritos”, ensinada pelos guias espirituais de Israel ( e também por algum pregador dos nosso dias).
A parábola quer eliminar definitivamente da mente dos homens esta forma de relacionamento com Deus. Ele nunca se cansa de sair ao encontro do homem, mesmo quando este falha em todos os encontros. E mais: ele não remunera pelos méritos próprios. Ninguém poderá julgar-se credor dele (Lc 18,9-14). A única atitude que deve ser tomada, diante do Pai que está no céus, é aquela da criança que não se prevalece de nenhum direito, não merece nada, tem sempre os olhos voltados para o pai, esperando alegremente pelos seus presente.
Esta parábola representa muito hoje também para as nossas comunidades. Na Igreja não deve haver aqueles que exigem mais “porque chegaram antes”. Ninguém deve sentir-se um “veterano” porque se converteu antes a Cristo. Todos são iguais. Ninguém é o senhor da “vinha”, pois todos são operários e se encontram no mesmo nível: não há motivos para superioridade.
Na “vinha do Senhor” trabalha-se gratuitamente, não se trabalha para ter um salário maior, não se pratica o bem em favor do irmão para ter o direito a um prêmio no céu. Seria egoísmo imperdoável servir-se do irmão pobre e necessitado para acumular méritos diante de Deus... O cristão ama porque descobriu como é bonito amar desinteressadamente, como o Pai. Faz o bem pelo prazer de fazer o bem.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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