Como sempre, você nos surpreendeu partindo sem aviso prévio, ou seja, à francesa. Escrevendo estas linhas, ouço a gargalhada que era sua marca registrada até porque você está em um lugar distante, bem melhor do que esse nosso mundo cheio de coisas tão desagradáveis.
É impossível descrever o sentimento de tristeza que ficou na alma dos seus amigos, dentre os quais me incluo, principalmente porque não houve como prestar-lhe qualquer tipo de homenagem e apresentar os nossos sentimentos e agradecimentos por tudo quanto de bom nos foi doado em face da sua disponibilidade em ajudar todos quantos o procuravam, independente da cor, sexo, idade, posição social etc..
Sentimo-nos mal, também, pela nossa omissão, deixando-o sozinho nesta sua caminhada final, quando optou pela reclusão em seu lar, abandonando de vez a vida que sempre o atraiu, além daquela de enfrentar grandes desafios vencendo-os brilhantemente.
Decidiu-se pela Medicina e foi o primeiro da turma; pelo Direito e foi da mesma forma; na política, foi vereador dos mais votados; e, para prefeito, estava eleito com grande diferença até um mês antes do pleito. Não se elegeu por causa do que sempre combateu: a discriminação.
Quantas e quantas vezes deixou de lado suas obrigações ou momentos de lazer para atender profissionalmente quem precisasse, sem perguntar ou se preocupar com pagamentos.
Em muitos momentos, comprou, com seu próprio dinheiro, os medicamentos necessários a quem tinha atendido.
Suas receitas, embora às vezes anotadas em papel diferenciado, eram objetivas e conseguiam o resultado desejado pelo paciente.
Teve seu ‘belo carro, uma Mercedes’ roubado. Quando o ladrão descobriu de quem era, devolveu-o imediatamente com um pedido formal de desculpas e o conselho para que não mais deixasse o veículo aberto da forma na qual o tinha encontrado.
Enfim, o espaço é pequeno para descrever ou falar sobre o Dr. Aníbal Vilela Moreira, que nos deixou semana passada, tanto pelo que representou, como pelo seu tamanho físico que nunca o deixou passar despercebido onde quer que estivesse presente, mas, fica em nosso coração e na nossa alma, primeiro a frustração pessoal de não ter estado mais perto na parte final da sua vida.
Tivesse cumprido o que seria minha obrigação, não teria agora de tomar sua receita de ‘chá da meia noite’ como castigo.
Deixo, no entanto, nas páginas deste Comércio, publicamente registrado, meu e nosso (de seus amigos) pesar pelo seu falecimento.
Estamos todos, no entanto, felizes, porque sabemos que você passou desta, para uma vida muito melhor, onde, certamente, o que não lhe foi outorgado do lado de cá pela ingratidão humana, lhe será dado em dobro por que não falha e que, frequentemente, permanecia em seu coração: Deus.
Odorico Antônio Silva
Advogado
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