O mau cheiro tem tomado conta de Patrocínio Paulista. Moradores reclamam do fedor, que se acentua em dias de altas temperaturas. Vizinhos da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) afirmam que o incômodo aumentou depois de sua inauguração, há dois meses. Outros apontam que os curtumes são os responsáveis. A prefeitura distribuiu panfletos pedindo que os moradores tenham paciência, pois o fedor faz parte do início do processo de tratamento.
A reportagem do Comércio esteve em Patrocínio Paulista na tarde de ontem e conversou com moradores de bairros próximos à ETE, como Jardim Glória, Vila Hípica e Marumbé. A reclamação é unânime: o mau cheiro domina a cidade, mas as causas apontadas são divergentes. A dona de casa Ana Silva de Oliveira, 53, é moradora do bairro Marumbé há pouco mais de três meses. Segundo ela, o cheiro é tão forte que nem o ventilador consegue dissipar. “Pior que quando cai a tarde vai ficando mais insuportável. Já falei para minha família que se continuar assim, vou ter que me mudar desse bairro, porque eu não estou aguentando mais.”
Diferente da dona de casa, o morador no bairro Vila Hípica, Sebastião Roberto Barbosa, 62, acredita que o fedor vem dos curtumes que ficam localizados próximos à ETE. Segundo ele, o cheiro dessas indústrias sempre existiu. “De tão ruim que é, eu nem fico nervoso. É ruim, é forte, mas o que vamos fazer, tem isso aqui, que dá emprego na cidade. Temos que conviver.”
O químico responsável pela Estação de Tratamento, Juliano Pereira da Silva, acredita que esgoto químico esteja sendo misturado ao doméstico e causando o mau cheiro. “Estamos fazendo análises detalhadas para verificar o porquê deste forte cheiro.” Silva disse que outra possibilidade é a de que o fedor seja oriundo do primeiro ciclo de tratamento da ETE, que ainda não se completou.
Preocupada com a repercussão e revolta dos moradores, a prefeitura de Patrocínio Paulista distribui há quinze dias mais de dois mil panfletos pedindo paciência à população. Segundo o informativo, o tratamento está no início e essa é uma fase passageira. A administração não informou quando o mau cheiro vai acabar.
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