Na doutrina espírita fundada por Allan Kardec, as enfermidades são vistas como dívidas de vidas passadas. “Essas pessoas que a gente trata não fizeram a reforma moral íntima. Todas as nossas dívidas, as nossas falhas e pecados estão no perispírito, o corpo espiritual. Jesus dizia: ‘Não vim na Terra curar corpos perecíveis, mas redimir almas eternas’”, diz João Berbel. Segundo ele, o câncer é criado através do ódio e da raiva.
O médium conta que o tratamento espiritual depende muito da fé da pessoa que vai recebê-lo. “Tem pessoas que vêm aqui que só coloco a mão na cabeça, tomam o remédio e melhoram, nem precisam da cirurgia. Tem outras que a gente trata e às vezes demora mais de um ano para se curar. Tem pessoas que estão tratando comigo há cinco anos e já tiveram problema no coração, depois no fígado, no rim... A enfermidade do corpo foi mudando.”
Berbel cita outro trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo para falar da importância da fé. “Lembre-se da frase que Jesus disse: ‘Eu não te curei, a sua fé que te curou’. Tudo gira em torno da vontade da pessoa em se curar”.
6 mil consultas
O IMA (Instituto de Medicina do Além) foi fundado em 1996 por um grupo de médiuns, mas a sede foi inaugurada cinco anos depois no Campo Belo.
O atendimento acontece às quartas-feiras (18 horas) e aos sábados (13 horas), em duas etapas: na primeira semana a consulta e depois a cirurgia. “É por ordem de chegada. Aqui não tem rico e pobre, e todo o tratamento é gratuito, não cobramos nada de ninguém”, enfatiza Berbel. “Na consulta atendemos 150 pessoas de cada vez em aproximadamente 10 minutos, com a ajuda de 120 a 150 voluntários”, explica. Só no último sábado, foram atendidas cerca de seis mil pessoas.
Os medicamentos fitoterápicos, distribuídos gratuitamente para o tratamento, são feitos no laboratório da própria sede. Segundo o vice-presidente do IMA, Marcos de Almeida, a manutenção do Instituto é alta. “Entregamos mais de quatro mil quilos de remédios por mês, um custo de R$ 50 mil”, diz Almeida. O IMA se mantém com doações e eventos.
Sobre a repercussão nacional, Berbel afirma que sua rotina continua a mesma. “Mas passamos a atender mais gente. Os nossos telefones não param. Temos seis ramais em busca automática, sempre congestionados”.
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