A música original era a francesa Laisse Moi Le Temps de Claude Francois. Paul Anka fez a letra em inglês e o sucesso veio na belíssima voz de Frank Sinatra: Let meTry Again que, traduzida, quer dizer: deixe-me tentar novamente...
Isso foi no ano de 1973 e Frank Sinatra era o cantor que embalava todas as canções românticas com sua maravilhosa voz. Quantas vezes não dançamos ao som de New York, New York, ou simplesmente nos emocionamos (mesmo não sabendo a tradução!) ouvindo My Way...
Semana passada, ouvi por acaso, no rádio do carro Let me Try Again. Minhas lembranças se fizeram presentes e foram dançar no antigo salão da AEC. De repente, comecei a ouvi-la com a percepção atual e ressignificá-la para o meu momento.
Em algumas frases da letra pude identificar I was such a fool to doubt you: Eu fui um tolo em duvidar de você. To try to go it all alone: Tentar fazer tudo sozinho. There’s no sense in life without you: Não há nenhum sentido na vida sem você.
Sem dúvida, lá estava o namorado arrependido. Passei então a trocar as letras minúsculas pelas maiúsculas e fiquei pensando como pude duvidar tantas vezes, não confiar, tentar fazer tudo sozinha porque sempre meu ego me dizia que eu podia... Como não pude perceber, (e quantas vezes ainda não percebo!) que existe uma Presença bem próxima na qual posso confiar, mas, quase sempre, prefiro acreditar na minha programação mental, na racional organização e dizer o tempo todo que tenho que dar conta, sim, que desse jeito é que vai dar certo. Como insisti em passar tanto tempo nas letras minúsculas e não percebi que não há nenhum sentido na vida sem Você. E quantas vezes me perguntei sobre o absurdo da vida, sempre sem nenhuma resposta, porque buscava um argumento racional, incompatível com os mistérios inexplicáveis... Daí a sensação do abadono, a solidão de sentir-me sozinha nesse universo, a tristeza do barco sem porto. A inconsciência da separação do Essencial.
Hoje penso que o refrão da letra seria minha salvação: Let me try again. Let me try once more. Gostaria tanto de tentar novamente, mais uma vez, mas de outro jeito, com outra compreensão.
To beg, is not an easy task: pedir não é uma tarefa fácil; Pride,such a foolish mask e orgulho é só uma máscara tola, lamenta ainda, na música, aquele que perdeu seu amor e agora está arrependido. Mas ele pede: Please forgive me or I’II die Por favor, me perdoe ou eu morrerei.
Creio que é tempo de reconstrução, novos olhares, novos significados. Mas seremos nós capazes de assumir, com humildade, todas essas questões e caminhar em direção a essa Presença Maior? É preciso despertar desse sono profundo que dorme sobre lençóis efêmeros. Deixar de acreditar apenas no visível. Para o coração desperto, o visível é apenas testemunho do invisível.
Quero mudar a letra do final: Por favor, me perdoe ou eu não viverei. Quero viver com plenitude e conseguir enxergar além... Além do além. Se ainda há tempo, quero tentar novamente, por favor, usando outros olhos... Let me try again...
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