Quando vemos as discussões que ocorrem em São Paulo, capital, e em outras pelo mundo, sobre cidades sustentáveis; quando vemos a gama de temas atuais e urgentes sendo tratada dentro da mais moderna concepção de gestão pública; quando vemos a parceria possível de ser estabelecida entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil; ao olharmos para a realidade da nossa cidade observamos, tristemente, que estamos muito atrasados.
Franca está distante, anos luzes, de qualquer discussão que projete nossa prática política para algo que se assemelhe à modernidade. Vivemos, mundialmente, mudança nos temas que norteiam a discussão e as práticas das gestões públicas. O tema geral ‘desenvolvimento sustentável’ não é mais bandeira apenas dos eco-românticos é, efetivamente, objetivo principal das administrações modernas e preocupadas com os graves problemas sociais e ambientais. Infelizmente, no âmbito municipal, nada foi iniciado ou realizado que mostre entendimento do prefeito e sua equipe quanto a esses temas.
O Plano Diretor, conjunto de diretrizes que norteia o crescimento da cidade, não é respeitado e a Agenda 21, são algo, aparentemente, sem compreensão. Não sabem do se trata. O fato mais grave desse governo é a prática desenvolvida pelo senhor prefeito, a do assassinato político. Explico: ele nada fez para que a sociedade entendesse a importância da sua participação na gestão do município, discutindo temas que afloram em todo o mundo como determinantes para a vida da/em sociedade.
Esses oito anos de anulação política provocaram um retrocesso na participação crítica da sociedade francana e, no futuro, sentiremos as suas consequências. Os sindicatos e associações não têm vida pública, só classista e, mesmo assim, com força cambaleante. As entidades assistenciais, que efetivamente desenvolvem a ação social local, não são chamadas para discutir políticas de assistência social.
Quando foi renovada a concessão da Sabesp, o prefeito perdeu grande oportunidade de inserir aquela empresa na discussão (se houvesse) do desenvolvimento futuro da nossa cidade, ou será que ele desconhece que ‘água potável’ será o bem mais precioso dentro de algum tempo? Infelizmente ele ‘tinha olhos’ apenas para os milhões de reais que entrariam para ele recapear as ruas da cidade e vender a imagem de ‘bom administrador’. Queria vê-lo recapear apenas com o orçamento que a Prefeitura tem.
Com todas essas transformações globais, parece que a administração atual esqueceu qual é a finalidade das escolas. Quais inovações foram feitas? Não vou citar reformas em prédios escolares, porque todos os prefeitos sempre terão que fazê-las, para conservá-las decentes. Precisávamos ter aproveitado esses oito anos para dar um passo importante na implantação da escola em período integral, com atividades complementares atuais e compatíveis com os desafios da sociedade futura. Precisávamos ousar, discutindo o currículo escolar.
Desenvolvimento sustentável é isso tudo. É o meio ambiente e social respeitado, discutido, planejado e protegido, garantindo um futuro sem privações e repleto de possibilidades. Precisamos garantir que, de agora em diante, esse tema esteja na pauta da eleição municipal que se aproxima.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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