Era 2009. A doméstica Adriana Aparecida Rigatieri Cintra, na época com 29 anos, levava uma vida aparentemente normal, se não fossem constantes dores de cabeças, que persistiam há dois anos. Ao procurar um médico, foi diagnosticada com uma sinusite e iniciou um tratamento. As dores persistiam e surgiu a suspeita de que havia um coágulo em seu cérebro. Porém, em 25 de agosto daquele ano, o diagnóstico e a vida de Adriana mudariam.
O neurocirurgião Pedro Paulo Garcia Couri, do Hospital São Joaquim, descobriu após uma tomografia que a doméstica estava com um tumor no cérebro. A cirurgia foi agendada e o tumor retirado. Adriana parecia bem, até as dores voltarem no começo deste ano. Hoje com 31 anos, foi internada em 19 de abril e a notícia ruim chegou à família: o tumor voltou a crescer. Desta vez era maligno. Uma cirurgia foi realizada, mas sem sucesso. Um mês depois, outra foi feita. A cabeça inchada da doméstica já comprometia seu cérebro. Em dois meses internada, a paciente desenvolveu desde meningite a infecção urinária. Após estabilizar-se, foi mandada para casa no mês de julho. Passou a tomar dez medicamentos diariamente, além de fazer radioterapia e quimioterapia. Aumentava o drama familiar.
Em uma casa humilde no Jardim do Éden, Adriana mora com mais quatro pessoas. Seu pai, seu marido, sua filha de 10 anos e sua mãe, a dona de casa Maria Inês de Souza Rigatieri, 57. Adriana não consegue andar, está com o lado direito do corpo paralisado e necessita de ajuda para tudo. O marido dela, Daniel Roberto Cintra, 35, passa mais da metade do dia trabalhando na zona rural. Trabalho que lhe rende um salário mínimo. A renda da família é complementada pela aposentadoria do pai de Adriana, outro salário mínimo. A mãe é quem cuida da filha.
Para piorar, a paciente tem sobrepeso. Quando realizou a última cirurgia, pesava 130 quilos. A mãe se esforça, mas seu físico não a acompanha. Maria Inês está com os movimentos do braço direito limitados decorrente de uma bursite e tem depressão. “Tem dia que eu fico chorando e me dá vontade de sumir, para nunca mais olhar para trás. É um sofrimento muito grande, porque eu só tenho ela.” Com toda a dificuldade, Maria Inês deixa claro que ainda tem esperança, e se agarra na fé para ver sua filha salva. “É o que eu mais tenho na vida, eu nunca vou desistir. Eu tenho essa fé e a certeza de que Deus vai curá-la.”
SOLIDARIEDADE
“Eu nem tenho palavras para pedir. Eu peço somente a Deus para curar minha filha.” Assim responde a mãe de Adriana, ao ser questionada se precisa de ajuda. Mas a renda da família humilde não é suficiente para cobrir todos os gastos.
Há 40 dias, Ana Paula Stephani Tristão, prima de Adriana, que faz parte de um grupo de oração da igreja Nossa Senhora das Graças, na Cidade Nova, contou o drama da família para o grupo e causou comoção. Desde então, eles assumiram os gastos de R$ 600 por mês com fraldas geriátricas. “O pessoal do grupo pede e cada um ganha um pouco, e nós vemos se dá para atender o mês. Se não der, nós tiramos do bolso e compramos”, explicou o comerciante Rodrigo Saturi, coordenador do grupo.
Mais uma ação será realizada em pró de Adriana. Em parceria com o Comércio, a grupo de oração organizou uma palestra sobre segurança no trabalho, direcionado a diretores e gerentes de empresa. Será realizada no auditório “Jornalista Corrêa Neves”, na sede do GCN Comunicações. Com o custo de R$ 30 por pessoa, os cerca de 100 ingressos foram todos vendidos e todo o dinheiro será doado à família de Adriana.
Os interessados em ajudar a família podem entrar em contato com Maria Inês pelo telefone (16) 9268-4700.
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