Reportagem de Fernanda Bufoni (editora) e
Irinéa Donizete, do Portal GCN especial para o Comércio
Uma denúncia de estupro terminou com um supermercado incendiado na noite de ontem no Jardim Luiza I. O dono do estabelecimento, de 41 anos, foi acusado de estuprar uma menina de 14. O ataque teria ocorrido na manhã de ontem após a adolescente ir até o local comprar leite para a família. Segundo moradores do bairro, no final da tarde, parentes e amigos da suposta vítima tomaram conhecimento das acusações. Eles, então, teriam ido até o supermercado atrás do acusado. Com a confusão e a ameaça de linchamento, a polícia foi chamada e o comerciante foi levado ao Plantão Policial por suspeita de estupro. Depois disso, populares aproveitaram a ausência dos policiais e colocaram fogo no estabelecimento.
Segundo moradores do bairro, por volta das 6h30 da manhã de ontem, a garota teria ido comprar leite no supermercado próximo à casa dela, foi atendida pelo comerciante e levada à força para o escritório, que fica no andar de cima do prédio, onde o estupro teria sido consumado.
Ainda de acordo com vizinhos da menina, ela teria chegado em casa e contado para os pais. Ninguém soube dizer o horário exato em que o pai foi informado da história, mas foi somente no fim da tarde de terça-feira que ele foi ao local tirar satisfação com o comerciante. Naquele momento, a confusão teve início.
Segundo o sargento Eli, a Polícia Militar foi chamada para atender à ocorrência. Chegando ao local, os policiais se depararam com a confusão formada e o comerciante foi detido.
No mesmo momento, populares apedrejaram um veículo, que teve os vidros quebrados e a lataria amassada. “A polícia fez a preservação do acusado, determinou que a viatura o conduzisse ao Plantão Policial e acionou outras viaturas. Uma picape Fiat Strada, destruída no local, foi guinchada sob uma chuva de pedras”, disse o militar.
INCÊNDIO
O boato sobre o estupro se espalhou pelo bairro. Cerca de 30 moradores se uniram a familiares e parentes da vítima e arrombaram, saquearam e incendiaram o estabelecimento. A Polícia Militar, que acreditava já ter controlado a situação e havia deixado o local para atender a outras ocorrências, foi chamada novamente ao supermercado e se deparou com o incêndio.
Aproximadamente às 22h30, dez homens do Corpo de Bombeiros de Franca, comandados pelo sargento Cruz, e três caminhões autobombas e uma unidade de resgate chegaram ao local. “O incêndio foi de média proporção e tivemos bastante trabalho devido à quantidade de materiais inflamáveis que estava no local”, disse Cruz, acrescentando que não há como determinar o que foi utilizado para provocar as chamas. “Temos que aguardar o resultado da perícia.” O supermercado ficou completamente destruído, além de uma moto que estava em seu interior. Ninguém se feriu.
INVESTIGAÇÃO
O delegado Djalma Batista, que estava de plantão, disse que dois boletins de ocorrência seriam abertos. Um para investigar a denúncia de estupro e outro por danos causados pelo incêndio. Três pessoas foram detidas no local na hora da invasão, ouvidas e liberadas.
A menina foi levada para a Santa Casa, onde passou por exame de corpo delito. “O médico legista disse ter encontrado uma secreção na vagina da adolescente. No entanto, novo exame será realizado para esclarecer se a substância era sêmen”, disse.
O registro da ocorrência não havia sido concluído até o fechamento desta edição.
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