11 de setembro


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Os atentados de 11 de setembro trouxeram insegurança ao mundo ocidental, sobretudo à Europa e aos EUA. O medo tomou conta das pessoas. Se o terrorismo tinha conseguido atingir o coração da nação mais poderosa do planeta, o que não aconteceria dali para frente?

A guerra ao terror, anunciada imediatamente após o ataque, só fez aumentar a tensão. Uma onda de violência inundou o mundo. A invasão imediata do Afeganistão, reduto de Osama Bin Laden. A invasão americana e inglesa no Iraque e a deposição do ditador Saddam Hussein. A resposta terrorista nos atentados de Madrid, em 11 de março de 2004, quando quatro estações de trem foram covardemente atacadas, provocando a morte de 191 pessoas e ferimentos em outras 1.700.

Como se voltasse à polarização vivenciada durante quase todo o século XX, em que comunismo e capitalismo se opunham de forma ferrenha, com várias ameaças de um embate nuclear, o mundo parecia dividir-se novamente, agora entre aqueles que defendiam a liberdade da democracia ocidental e aqueles mais fanáticos e radicais, que propugnavam por uma sociedade mais fechada, guiada pelo fundamentalismo religioso de alguns grupos islâmicos.

Passados 10 anos, no entanto, o mundo parece respirar mais aliviado. A despeito dos embates que persistem em alguns cantos do planeta, da violência cotidiana das grandes cidades e das organizações criminosas que atuam em âmbito transnacional, os atos terroristas não se disseminaram como se poderia supor. Os EUA inauguraram seu Memorial em homenagem às vítimas do 11 de setembro de forma tranqüila e alguns tiranos do mundo árabe foram ‘defenestrados’ do poder por uma revolução popular com apoio inconteste dos jovens e das novas tecnologias de comunicação. Um efeito dominó que ainda promete muita turbulência às ditaduras do oriente, como acontece agora com a Síria.

Em uma interessante análise, o sociólogo Demétrio Magnoli enfatiza o caráter pró-ocidental das insurgências do mundo árabe, entendendo que o caminho escolhido por essas populações é o de nossa democracia e não aquele mais sombrio proclamado pelos fundamentalistas radicais.

Em sentido contrário, recente comunicado da Al Qaeda, divulgado para marcar os atos terroristas de 11 de setembro, diz apoiar o que chama de ‘primavera árabe’, entendendo os levantes como uma reação dos fundamentalistas na tentativa de estabelecer o que eles chamam de o ‘verdadeiro islã’.

E então? Em quem acreditar? Será que estamos realmente no caminho da democracia? Difícil responder. Como nos lembra Guimarães Rosa, ‘o escuro se faz claro aos poucos’. A única certeza que temos é que essa vida é uma luta constante pela liberdade, da qual não podemos abdicar nunca. Tomara que os povos árabes tenham acordado para essa realidade.

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