Mulheres rompem barreiras e avançam na construção civil


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MÃO NA MASSA - Ester dos Reis, Maria Zilma Martins e Antônia Deumira de Souza Martins capricham na hora do rejunte
MÃO NA MASSA - Ester dos Reis, Maria Zilma Martins e Antônia Deumira de Souza Martins capricham na hora do rejunte

Quando se fala em construção civil, a primeira imagem que vem à cabeça da maioria das pessoas é de um ambiente totalmente masculino, com trabalho pesado. Em Franca, pelo menos 114 mulheres tentam quebrar esse paradigma. Segundo levantamento da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), esse era o número de trabalhadoras em obras na cidade até o ano passado. O número mais do que dobrou em comparação a 2001, quando 50 mulheres trabalhavam em construções. Em 2009, eram 88 trabalhadoras. O aumento, em um ano, foi de 23%. Apesar do crescimento, a participação delas nas obras ainda é pequena. No ano passado, eram 4,7% dos 2.412 trabalhadores empregados na construção civil em Franca.

A evolução no número de mulheres vem junto com o crescimento do setor imobiliário. Segundo dados divulgados pelo Comércio no mês passado, o setor gerou 300 vagas só no primeiro semestre. Em algumas funções, a mão de obra feminina tem preferência. O engenheiro da construtora MRV, Milton Baquião de Oliveira Junior, 26, afirma que trabalhos como o rejunte necessitam de mais cuidados e que as mulheres são melhores em trabalhos detalhistas. “É um serviço mais delicado. Elas são mais cuidadosas e acabam fazendo o serviço melhor e deixando mais limpo.”

Na MRV, atualmente são 11 mulheres trabalhando. A servente Ester Aparecida dos Reis, 40, é uma das mais antigas na empresa. Há quatro anos, largou a vida de dona de casa após terminar seu casamento e resolveu arriscar, sendo faxineira em uma obra. O tempo passou e a curiosidade fez com que Ester aprendesse a rejuntar pisos. Um dia, com a falta de funcionários, ela se ofereceu para ajudar, e deu certo. Desde então passou por seis obras e subiu de cargo. Hoje é servente, faz rejuntes, prepara a massa, limpa e recebe R$ 900. “Quero progredir, crescer mais”, disse ela que conta com o apoio de seus dois filhos.

Junto com a servente, trabalham as irmãs Maria Zilma Martins, 42, e Antônia Deumira de Souza Martins, 41. Ambas vieram do Rio Grande do Norte há 15 anos, para tentar a sorte em São Paulo. Antônia foi a primeira a interessar-se pela construção civil. Há um ano, soube que a MRV estava contratando mulheres para o rejunte. Apesar de não ter experiência, levou seu currículo e ganhou uma chance. Separada há oito anos e com três filhos adolescentes, recebe apoio total da família e pretende acumular funções nas obras. “Eu quero assentar piso e eu vou conseguir.” Maria Zilma começou há três meses, mas já afirma que, apesar de conviver num meio quase tomado completamente por homens, sempre foi respeitada. Com 15 anos de casamento e dois filhos, já tem uma neta, e afirma que não perde seu lado feminino. “Saio daqui, boto uma saia e vou sair com meu marido.”

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