A venda de motos está aquecida, os jovens estão ingerindo mais bebidas alcoólicas e o trânsito fazendo cada vez mais vítimas, uma triste convergência para nossa juventude. Dados publicados pelo Comércio em reportagens diversas nos mostram que o problema é bastante sério.
O número de jovens flagrados bêbados dobrou em 2 anos, segundo dados do Conselho Tutelar. Em um mundo pleno de liberdade, mas já um tanto vazio de igualdade e fraternidade, esses jovens começam a sair de casa cada vez mais cedo, lançando-se à vida noturna ainda um tanto imaturos. Como o acesso ao álcool (e às drogas) está absurdamente facilitado, a despeito das leis que insistem em não funcionar, o resultado não poderia ser diferente. Mas, o pior de tudo é que essa ‘bebedeira’ vem acompanhada de mais violência, não apenas entre os próprios jovens, mas também em enfrentamentos com a polícia, como se viu recentemente em festas e postos de combustíveis.
Em outra reportagem, é possível verificar que o número de acidentes com motocicletas vem chamando a atenção de nossas autoridades. Fora aqueles que ficaram com seqüelas, nesses últimos 10 anos já morreram 227 pessoas, a grande maioria de jovens, o que faz de Franca a 8ª cidade com mais número de mortos no trânsito, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, à frente de municípios que possuem uma frota maior.
Para complicar a situação, estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ‘A Mobilidade Urbana no Brasil’, publicado há alguns meses, aponta que em dez anos haverá mais motos do que carros circulando pelas vias brasileiras.
Todo esse cenário é extremamente preocupante. Se os jovens já são por natureza ousados e um tanto rebeldes, seguros de que nada de ruim pode acontecer com eles, imaginem o que pode acontecer quando se acrescenta a essa receita alguns bons copos de bebida alcoólica e toda a sensação de poder e de liberdade que é dada pelas motos atuais, cada vez mais potentes, mais baratas, acessíveis e com design extremamente arrojado.
O que fazer? Campanhas educativas para jovens que ouvem cada vez menos seus pais e seus professores? Campanhas de impacto que simulem acidentes ou mostrem motos retorcidas para jovens acostumados à ‘realidade’ mais violenta que vem do cinema e da TV? Investir de forma mais intensiva em transporte público, quando a maioria desses jovens não vê as motos apenas como meio de transporte, mas sobretudo como símbolo de status e de diferenciação?
É difícil responder. Os caminhos, com certeza, não são nada fáceis. De qualquer forma, além de todas essas ações que devem ser mantidas e intensificadas, um pouquinho de punição mais severa talvez não fizesse mal para ninguém, inclusive para os jovens.
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