Paisagem paulistana


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A cidade de São Paulo, embora poluída e superpovoada, continua fascinante. Até mesmo para os seus nativos que nunca podem afirmar com segurança que a conhecem, sempre apresenta surpresas, alguma novidade. Para quem parte do interior, então, é sempre uma aventura cumprir compromissos por lá.

Quando se vai pela primeira vez à Capital Paulista, ainda que se fique por lá alguns dias, não dá pra dizer que se conhece dela alguma coisa. Jamais é possível apontar pra que lado fica o teatro, a casa do amigo, o estádio do Pacaembu, por exemplo. Sabe-se, no máximo, que metrô que se deve tomar, em que estação se deve descer ou em que ônibus se pode embarcar. Ou, enfim, quais referências se deve passar ao taxista. Óbvio que na primeira vez é inviável ir dirigindo.

Quando se começa ir a São Paulo com alguma freqüência, por outro lado, são extraordinárias as descobertas que se vai fazendo gradativamente. A primeira coisa que se aprende é que a cidade tem um ritmo. Um ritmo para os veículos no trânsito, quando ele anda; um ritmo para caminhar pelos corredores de acesso do metrô; um ritmo próprio pra se fazer qualquer coisa. E a paisagem de rostos nas ruas? Há a mocinha de cabelos presos e boca de peixe quando falta oxigênio... A de traços asiáticos que lembra figuras do Egito antigo... Ainda, a louríssima e seus grandes olhos azuis cintilantes que desconcertam até mesmo olhares mais atrevidos... E a mulata, cujos dotes, mesmo em trajos sociais atrai a atenção masculina na sisuda Avenida Paulista, às vezes fazendo voltarem-se para ela discretas e belas senhoras, seguramente com uma pontinha de inveja...

Quando o trem do metrô pára na Estação Liberdade se pode sentir toda a presença da comunidade nipônica da cidade. Diferentemente do que ocorria na década de 1970, em que os rapazes sansei eram caracterizados pela discrição, os CDFs que passavam em todos os vestibulares de então, os yonsei de hoje exibem cabelos eriçados, moicanos ou longos e mais parecem samurais modernos que estudantes. As mocinhas da colônia, que antes só olhavam para o chão, hoje são falantes, alegres, e usam roupas ousadas e coloridas como qualquer outra, ou estão imersas nos seus mundos eletrônicos individuais.

Mas, bom mesmo é sair a pé pelo centro de São Paulo bem cedo, nos finais de semana prolongados, quando o fluxo de pessoas circulando diminui e, com paciência, apreciar as belas obras de arquitetura antiga que ainda restam por lá, os seus monumentos e até mesmos algumas praças, desde que estejam desabitadas... E como vale um passeio pelo Mercado Municipal, pelo Pátio do Colégio, ou pelo Parque Trianon, na Avenida Paulista, uma pequena ilha de Mata Atlântica incrustada no centro da maior cidade da América do Sul!

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