O Prof. Hélio Palermo foi, sem dúvida, um dos políticos mais hábeis, astutos e inteligentes de Franca. Era daqueles que dava nó em fumaça e desatava-o com luvas de boxe. Se não tivesse falecido tão cedo, prefeito por duas vezes, teria sido eleito por outras tantas.
Em torno de sua figura giram várias histórias reais , fictícias ou incrementadas. Dizem, por exemplo, que para impressionar o eleitor que o procurava, em busca da solução de algum pedido junto a uma Secretaria de Estado, ele pedia a um seu assessor que ligasse diretamente para o Secretário em questão e exigia, na frente do reivindicante e em termos ásperos , o atendimento do pedido. O eleitor saía satisfeito e valorizado. Porém, a ligação telefônica era local e do outro lado da linha estava, na verdade, o seu Chefe de Gabinete, o Jorginho Miguel.
A amizade entre meu pai e o Hélio vinha de longa data. Sob o pseudônimo de “D. P.”, ele mantinha uma coluna no jornal de meu pai que, por sua vez, ajudou-o na sua primeira eleição para prefeito de Franca.
Em 1972 meu pai faleceu e deixou vago o cargo de Diretor do Museu Histórico. Pleiteei o cargo em questão com o objetivo de dar continuidade à obra de meu progenitor. Com a autorização do Conselho Universitário da Unesp, eu iria exercer as referidas funções sem receber um centavo sequer. Cheguei a trabalhar no Museu por pouco tempo. Porém, o Hélio não me quis nem de graça. Fiquei muito magoado e essa mágoa durou até 1976. Naquele ano, vencemos as eleições municipais ( Maurício como prefeito e eu como vice ). Hélio Palermo, extremamente cordial e cooperativo, abriu-nos as portas da Prefeitura e facilitou ao máximo a transmissão do poder. Certa feita, numa reunião com os funcionários públicos , chegou a chamar-me de filho adotivo. Eu, que ainda guardava a velha mágoa, não aguentei. Lado a lado, sentados num sofá do seu gabinete, perguntei-lhe:
—Dr. Hélio! O Sr. tem nos tratado com muita amabilidade e carinho. Acabou até de chamar-me de filho adotivo. Parece-me até que voltamos àquela velha amizade.
— Voltamos, não , interrompeu ele. E continuou:
—Ela sempre existiu.
— Pois bem, Dr. Hélio, continuei:
—Então por que o Sr. impediu-me de dirigir o Museu Histórico?
—Hélio Palermo, sem corar ou gaguejar, foi direto:
—Eu não, Chiachirinho! Quem não quis que você ficasse no Museu foi o João Roberto.
—João Roberto era, na época, o secretário de Educação e amigo íntimo do Dr. Hélio.
Depois dessa resposta eu ri e pensei comigo mesmo:
—Ninguém pega essa velha raposa.
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