Mudança de paradigma


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Em matéria publicada pelo Comércio na quarta-feira, 31/08, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou que o Brasil não está sabendo enfrentar a mudança de paradigma que está ocorrendo no mundo da produção industrial. Nossos empresários ainda não a compreenderam em sua totalidade.

Segundo o ministro, não existe nenhum país capaz de competir em custo com os países asiáticos, liderados pela China. Em um mundo onde o fenômeno da globalização mostra-se irreversível, essa situação os torna verdadeiros tanques de guerra, capazes de invadir fronteiras e derrubar os muros de qualquer modelo de protecionismo.

Para complicar um pouco mais esse cenário, Pimentel aponta mais dois fatores que ainda estão em processo, pouco notados, mas que já podem ser percebidos por observadores mais atentos: a mudança do padrão monetário internacional, em função das sucessivas crises financeiras dos EUA e da consequente perda de credibilidade do dólar e a mudança do padrão de consumo, com a estagnação da demanda na Europa e nos EUA e, no sentido contrário, sua efervescência nos países emergentes, sobretudo China, Brasil, Índia e África do Sul.

O ministro não é dono da verdade, é claro. Mas, por sua posição e seu histórico, sua opinião não deve ser desprezada sem uma merecida reflexão, sobretudo no que diz respeito ao surgimento de novos paradigmas.

É interessante notar a nossa tendência para a acomodação. Faz parte de nossa natureza, não tem jeito. Tendemos a nos apegar ao que deu certo, às estratégias e esquemas que se tornaram vitoriosos ao longo do tempo. Nesse apego, nos esquecemos de que eles são feitos sob medida, em função das características sociais, econômicas, políticas, culturais e tecnológicas de cada momento histórico.

Como alertava Peter Drucker, o pai do ‘management’ moderno, nos esquecemos de olhar ‘pela janela’ e tentar perceber as coisas que já começaram a acontecer, mas que ainda não foram plenamente percebidas, esperando apenas que o tempo lhes permita o completo amadurecimento.

Nesse sentido, é bom que nossos calçadistas, assim como outros industriais de Franca e região, reflitam mais seriamente sobre a advertência do ministro. Não que elas já não tenham sido feitas por outros ‘experts’ do mundo empresarial, mas apenas porque é mais uma oportunidade para se debruçar sobre esses problemas, buscando novos conceitos e novas estratégias que permitam, para além da sobrevivência, uma maior competitividade no futuro.

É só seguir os ensinamentos do mestre. Deixar um pouco o imediatismo de lado, ‘olhar pela janela’ e tentar perceber os novos paradigmas que estão surgindo no mundo atual. Se tivéssemos feito isso antes, talvez tivéssemos percebido o simbólico ponto de inflexão dessas mudanças nas Olimpíadas de Pequim, quando a China atropelou a Rússia e os EUA, até então os eternos campeões.

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