O atendimento ao consumidor sempre foi a vedete do consumo sustentável mundial. Sem um bom atendimento, a empresa está fadada ao insucesso
Existe até aquela máxima: “um consumidor mal atendido, deixa de comprar no estabelecimento comercial e ainda conta pra outras dez pessoas que foi mal atendido”. O efeito nocivo do mau atendimento ao estabelecimento é devastador. O que dizer então quando, além de mal atendido, você ainda tem a bolsa furtada? Pois bem. A churrascaria Baby Beef Barra, sediada no Rio de Janeiro, foi condenada a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil a uma consumidora. De acordo com a alegação da cliente no processo, durante uma refeição no estabelecimento, ela teve sua bolsa furtada e, ao solicitar a presença do gerente, foi mal atendida e teve o seu pedido para verificar as gravações do circuito interno de câmeras do local negado, sob alegação de razões técnicas.
Após diversas tentativas, em dias diferentes, de acesso às câmeras, Renata conseguiu contato com a proprietária do restaurante e ouviu a negativa definitiva de acesso às gravações, com a explicação de que o vídeo já teria sido analisado e que não foi constatado nenhum furto. O estabelecimento, por sua vez, informou que o gerente somente não disponibilizou o acesso da cliente às câmeras por falta de autonomia do mesmo para fazê-lo e pelo fato de os vídeos só registrarem as imagens em tempo real no estabelecimento, e não gravá-las. A decisão foi da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio no processo nº: 0277925-71.2009.8.19.0001. Cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça.
Está na hora de não aceitarmos mais abusos no atendimento ao consumidor. Alguns estabelecimentos comerciais exageram na dose e acabam por ofender o Código de Defesa do Consumidor. É preciso dar um basta! Estabelecimento que não respeita o consumidor deve fechar as portas. O consumidor tem o antídoto e o poder nas mãos: basta não comprar mais no lugar e contar pros amigos os motivos.
O Instituto Akatu, reconhecidamente importante na luta pela efetivação dos direitos do consumidor, desenvolveu uma cartilha que se transformou em campanha de consumo consciente e se chama: 8R’s. Levo ao conhecimento dos leitores a campanha e peço que divulguem, com a finalidade de evitar transtornos como o ocorrido no Rio de Janeiro!
Lembre-se de que qualquer ato de consumo causa impactos no planeta. Procure potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos, diz a campanha. Aí vão os 8R’s: 1. Reduzir: Exagere no carinho e no amor, mas evite desperdícios de produtos, serviços, água e energia; 2. Reutilizar: Use até o fim, não compre novo por impulso. Invente, inove, use de outra maneira. Talvez vire brinquedo, talvez um enfeite, talvez um adereço; 3. Reciclar: Mais de 800 mil famílias vivem da reciclagem hoje no Brasil, quer fazer o bem? Separe em casa o lixo sujo do limpo. Só descarte na coleta comum o sujo. Entregue o limpo na reciclagem ou ao catador.
A campanha continua: 4. Respeitar: A si mesmo, o seu trabalho, as pessoas e o meio ambiente. As palavras mágicas sempre funcionam: “por favor” e “obrigado”. 5. Reparar: Quebrou? Conserte. Brigou? Peça desculpas e também desculpe. 6. Responsabilizar-se: Por você, pelos impactos bons e ruins de seus atos, pelas pessoas, por sua cidade. 7. Repassar: As informações que você tiver e que ajudam na prática do consumo consciente. 8. Retuite, reenvie e-mails.
O instituto Akatu, entidade sem fins lucrativos, ganhou respeitabilidade no meio consumerista por desenvolver campanhas que pregam um consumo consciente. Os consumidores devem seguir à risca os 8R’s e verão que o impacto negativo de nossos atos ao planeta certamente diminuirão.
Quanto ao mau atendimento prestado à consumidora no Rio de Janeiro, seria bom que o estabelecimento comercial utilizasse o quinto R: RESPEITO. A consumidora deve ser exaltada por sua atitude madura de processar a empresa por ter lhe causado constrangimentos. Até porque quantas vezes fomos desrespeitados e mau atendimentos e nos calamos? É preciso atitude e respeito, conquistado a duras penas. O consumidor deve fazer o enfretamento a atitudes nocivas como a do mau atendimento, porque se a moda de atender mau pegar...
NOVAS MULTAS
Todos sabemos que o ideal na política das relações de consumo é sempre trabalhar a prevenção e evitar que os conflitos aconteçam ou minimizar seu impacto. No entanto, quando o embate é inevitável, necessário utilizarmos todas as armas lícitas para fazer o enfrentamento. Assim, informo que já estão em vigor os novos valores das multas administrativas aplicadas às empresas que descumprirem o Código de Defesa do Consumidor. Por decisão do Ministério da Justiça, o valor máximo das punições passou de R$ 3 milhões para R$ 6 milhões. O mais baixo também subiu de R$ 212,82 para R$ 400. As empresas descumpridoras do Código do Consumidor que se cuidem!
NOVAS REGRAS ADIADAS
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) adiou por 90 dias o início da vigência da Resolução Normativa nº 259, que define prazos para o atendimento de beneficiários de plano de saúde. A decisão acolheu pedido das operadoras que pediram maior prazo para se adaptarem às novas regras. Assim, as regras novas passarão a vigorar apenas a partir do dia 19 de dezembro de 2011. É lamentável, já que as novas regras já eram de conhecimento dos planos de saúde desde o início de 2011, foi debatido em consulta pública e não justifica o adiamento. Aguardemos...
PROCON-SP EM FRANCA
Conforme noticiado neste Comércio, importante reunião do Procon São Paulo aconteceu em Franca na semana passada. Representantes da Fundação Procon São Paulo e de diversas cidades da região discutiram um conjunto de ações visando a melhoria da estrutura e da qualidade dos atendimentos. Entendo que este tipo de reunião engrandece o trabalho do Procon em Franca e valoriza o consumidor francano. Este ano a Fundação Procon-SP comemora 35 anos de existência, inclusive nasceu muito antes do Código do Consumidor. Parabéns aos Procons em São Paulo e Franca.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
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