Ferro-velho deixa de recolher por mês 400 toneladas de sucatas


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A partir do próximo dia 6 de outubro, 400 toneladas de papel e plástico antes destinadas para a reciclagem vão deixar de ser recolhidas todos os meses. O ferro-velho do Jardim Aeroporto, o maior da cidade, anunciou ontem que deixará de comercializar estes materiais. Por conta da decisão, mais da metade dos 33 funcionários hoje empregados no local serão demitidos.

A medida foi tomada depois que o ferro-velho passou pela fiscalização da Operação Impacto, organizada pela prefeitura em parceria com a Polícia Militar, a Cetesb e o Corpo de Bombeiros. “Eles vieram aqui com a Polícia. Me multaram em R$ 84 mil e exigiram que a gente fizesse um monte de adequações aqui para poder trabalhar com esse tipo de material. Como ficaria muito caro para fazer as obras, decidi parar de mexer com isso”, disse Romildo Garcia Vilar, proprietário do ferro-velho.

Entre as exigências, segundo Romildo, está a instalação de cinco hidrantes, de extintores de incêndio e a construção de um galpão azulejado. “Só com a parte do Corpo de Bombeiros eu teria de gastar cerca de R$ 100 mil para me adequar. Não compensa. Então, para não ser novamente multado, vou parar de recolher plásticos e papéis”, disse.

Para ele, o fim do recolhimento dos materiais deve afetar a vida de cinco mil pessoas. “Estou muito preocupado. Eu sei que muita gente que vende plástico e papel para mim faz isso para conseguir o dinheiro para o leite ou para o pão das crianças. Me pergunto agora o que vai ser dessas pessoas. Mas tenho que cumprir a lei. Só me resta rezar para que alguém possa assumir o papel de ajudar essas cinco mil pessoas que catam recicláveis”, disse emocionado. Romildo deve continuar com o ferro-velho, mas trabalhará apenas com ferro, cobre, alumínio e vidro. “Vou continuar trabalhando de segunda a segunda, mas quero estar dentro da lei. É um momento difícil esse que estou passando, mas sei que vou vencer e logo estarei com um ferro-velho supermoderno.”

Sobre o estoque que ainda mantém, o sucateiro disse que deve levar 30 dias para comercializar todo o papel e plástico estocado. “Não sei te dizer exatamente qual é o meu estoque em quilos, mas acho que em um mês já vendi tudo e liberei o espaço.”

Procurado para comentar a decisão de Romildo, o secretário municipal do Meio Ambiente, Ismar Tavares, disse que não sabe como ficará a destinação das 400 toneladas de materiais que deixarão de ser recolhidas pelo ferro-velho. “Nem mesmo sei se esta quantidade existe. Minha obrigação é fazer com que a lei seja cumprida.”

Sobre as cinco mil famílias afetadas, o secretário informou que elas podem procurar a cooperativa que funciona na Usina Municipal de Reciclagem. “Mas não posso garantir que a cooperativa vá comprar esse material. Não sei dizer como funciona isso lá”.
 

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