Ufa! Até que enfim agosto passou. Não bastassem os 31 dias sem nenhum feriado no meio deles, o mês teve tão somente 4 domingos espremidos entre 4 semanas e meia de muito labor para a população. A faina foi dura para o povão que não consegue descolar congresso algum. O batente vai de segunda a sexta, podendo se estender pelo sábado ou domingo também.
Semana de dois ou três dias existe somente para a laboriosa classe do poder público que, por sinal, mostrou muito serviço durante o mês passado. Em meio à recheada agenda, houve ainda o ressurgimento da cogitação de se criar um novo (mas velho conhecido por CPMF) imposto para custear a área da saúde e, de contrapeso, impor cerceamento ao direito da livre manifestação da mídia. Principalmente da imprensa, setor enxerido, que costuma se pautar por assuntos referentes às negociatas oficiais e extraoficiais.
Quanta falta de patriotismo dos jornalistas! Eles deveriam aproveitar o patriótico feriado de amanhã para mostrar à população a abnegação dos integrantes dos Três Poderes constituídos desta nação. Enquanto quase todos param para descansar em pleno meio da semana, pelo menos há alguns compenetrados participando das mais diversas comemorações referentes ao Dia da Pátria.
Sim, todos da alta cúpula querem o bem do Brasil! Ou seriam os bens? Opa! Tem palavra que se complica toda quando vai para o plural. O melhor então é que você esqueça a pluralidade política e ouça amanhã os inflados e também inflamados discursos de amor à Pátria. Junto ao palavrório costumeiro, alguém vai ser até capaz de aproveitar a ocasião para fazer um marketing pessoal, já com vistas voltadas para 2012, ano eleições.
Algum representante do povo pode até se recordar de Rui Barbosa, autor do Hino à Pátria, e sapecar no palanque oficial alguns versos escritos por uma das maiores inteligências que este País já teve. Sete de Setembro não deixa de ser o dia mais propício para se abrir um discurso com estas palavras: “A Pátria não é ninguém: são todos”.
Pena que os políticos se esqueçam de declamar e também pôr em prática os versos seguintes do Hino: “A Pátria não é um sistema/ Nem uma seita, nem um monopólio/ Nem uma forma de governo;/ É o céu, o solo, o povo, a tradição/ A consciência, o lar, o berço dos filhos/ Da língua e da liberdade/ E cada qual tem no seio dela/ O mesmo direito à idéia/ à palavra, à associação...”.
Sim, ninguém quer mais impostos. Aliás, muito pelo contrário, todo mundo quer uma reforma tributária que contemple a diminuição das muitas taxas já existentes. Mesmo assim, todos aqueles que pertencem à classe dirigente desta Pátria pleiteiam a criação de novos tributos. A parcela legislativa ou executiva ainda tem a desfaçatez de usar o precário atendimento na área de saúde pública para tentar conseguir mais arrecadação ainda do esfolado contribuinte.
Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br
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