Obra do futuro


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O prefeito Sidnei Rocha autorizou a abertura de concorrência para a construção do já comentado viaduto. As obras estão orçadas em 9 milhões. Porém, a despeito do preço, com certeza suscitarão muita discussão.

Alguns acreditam que ela seja um voluntarismo do prefeito, algo pensado apenas para alimentar sua vaidade, pois com uma obra dessa envergadura seu nome ficaria ainda mais forte na história da cidade. Para esses críticos, mesmo que ela fosse importante em um futuro próximo, haveria outras prioridades nesse momento, como, por exemplo, o financiamento da saúde, uma vez que a Santa Casa está para lá de quebrada, mesmo com a ajuda do Estado.

Além disso, continuam os críticos, a Prefeitura deveria fomentar o transporte coletivo, não o privado. Ao insistir em obras como essas, estaria enveredando por um caminho perigoso, incentivando o aumento do número de automóveis e, consequentemente, contribuindo para mais poluição, mais estresse e mais violência no trânsito.

Os que aplaudem a iniciativa, no entanto, defendem a visão de futuro de nossa autoridade maior. Para eles, é preciso antecipar-se aos problemas. Se nada for feito agora, com certeza as conseqüências serão piores em um futuro próximo. O trânsito irá engarrafar de vez e haverá pontos de gargalo intransponíveis, gerando muito mais acidentes e bem mais violência.

Nesse embate, que ainda promete muita discussão, ambos os lados têm lá suas razões. Para comparar, podemos nos lembrar de duas obras polêmicas do não menos polêmico Paulo Maluf, o Minhocão e a Rodovia dos Bandeirantes. Nessa última, o futuro mostrou o acerto de Maluf. A despeito das críticas que sofreu na época, se não fosse a Bandeirantes, a Anhanguera estaria completamente intransitável, e isso já há muito tempo. No entanto, em relação à primeira, o futuro já não cooperou tanto. Suas conseqüências sociais e arquitetônicas foram péssimas. Deteriorou a paisagem urbana, desvalorizou imóveis e passou a servir de abrigo para bandidos, mendigos e desocupados, fazendo com que já se pense, nos dias de hoje, em sua demolição.

Mas é assim mesmo. Não podemos prever o futuro. Podemos, apenas, presumi-lo. Com determinação, podemos até tentar ‘inventá-lo’, como parece o caso de nosso prefeito. Mas, infelizmente, seremos sempre reféns da história.

É certo que a Prefeitura deve intervir na infraestrutura urbana. Como é certo, também, que deve investir na saúde de sua população. Porém, nesse caso específico, é bom lembrarmos que os francanos continuarão comprando seus carros, a despeito de viadutos ou de um transporte público de mais qualidade, o que complicará cada vez mais o trânsito da cidade. Além disso, 9 milhões para a Santa Casa apenas tapariam os buracos, não resolveriam o problema.

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