Iniciamos o mês de setembro, o mês da Bíblia, o mês do Hallel, o mês que abre as portas que nos fazem ver jardins, campos e árvores floridas pela estação da Primavera
O inverno machucou e na primavera tudo se abre em prosa e verso. Reunidos na assembléia litúrgica, ouvindo a Palavra de Deus, à luz do Espírito Santo somos convidados a aprender o valor da “correção fraterna”. Influenciados pelo nosso temperamento, embasados nas nossas posses materiais, conservando certo orgulho por isso ou por aquilo, muitas vezes nossas palavras e atitudes são apimentadas. Entre tantas existe uma verdade: eu posso falar coisas sérias para alguém se cortar a amizade, pois, depende do modo como falo. A correção feita como tempestade só serve para criar terror, ódio, alterando os ânimos e havendo muito prejuízo em tudo? Na base da correção fraterna existe o amor, isto é, o bem querer aos outros e, ao mesmo tempo,expressa a consciência daquele que corrige por saber que ele também possui limitações e precisa crescer. Quais os ensinamentos da Palavra de Deus hoje?
PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura é do livro do profeta Ezequiel. A leitura de hoje compara a missão do profeta com a da sentinela. O profeta é um homem com uma sensibilidade espiritual muito aguda. Ele é o primeiro que percebe os caminhos através dos quais o Senhor quer conduzir o seu povo. É sempre ele o primeiro que se dá conta que determinados modos de pensar, determinadas experiências e determinadas escolhas não estão em conformidade com Deus. É seu dever, nesses casos, intervir, falar francamente, alertar aqueles que estão correndo o perigo de afastar-se de Deus. Se ele não cumprir este seu dever, é responsável pela ruína dos seus irmãos. Se, ao contrário, adverte a quem está se comportando mal, mas este não atende, então ele não é culpado.
Na segunda leitura, colhida do capítulo treze da carta aos Romanos, encontramos o seguinte contexto: é um capítulo que relata as obrigações do cidadão em relação às autoridades do Estado. Ontem e hoje os questionamentos são os mesmos: devemos obedecer? Os impostos devem ser pagos? No momento em que Paulo escreve esta carta, o cenário político era muito confuso. O imperador era Nero que possui um temperamento muito difícil e muitos estão insatisfeitos e querem fazer uma rebelião contra o Estado. O apóstolo recomenda a todos para que sejam cidadãos exemplares e tenham respeito pelas autoridades,pelas leis e pelo patrimônio do Estado.
PONTO DE REFERÊNCIA
No trecho da leitura de hoje, Paulo expõe um princípio geral que ajuda na solução não só deste, mas de qualquer outro problema moral. Quando não sabemos qual a melhor atitude a ser tomada, quando não temos certeza sobre as escolhas a serem feitas, é preciso tomar como ponto de referência o mandamento do qual derivam todas as leis: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Todos os demais preceitos dependem deste, outra coisa não são senão uma especificação. Quem procura fazer sempre e somente aquilo que é bom para o irmão, com certeza observa todos os mandamentos. Ao mantermos vivo o princípio do amor ao irmão, é fácil entender que todas as leis do Estado, quando são justas e promovem o bem comum, devem ser observadas. A violação das mesmas é pecado. Entretanto, se uma lei (do Estado, da Igreja ou de qualquer outra instituição) contrariasse este preceito fundamental, o cristão não somente teria o direito, como também a obrigação de desobedecer. E no trecho do evangelho escrito por São Mateus há uma grande e importante pergunta: que atitude tomar em relação a quem erra?
Há uma coisa que absolutamente não deve ser feita (e em geral, infelizmente, é a primeira que se faz): espalhar a notícia do erro cometido. Isto é difamação. Presta-se somente a humilhar quem errou, a irritá-lo, a fazê-lo teimar no mal, a provocar-lhe sofrimentos inúteis. É o mesmo que perder para sempre a oportunidade de recuperar o irmão. É importante ter sempre em mente que a verdade que não produz amor, mas que provoca perturbação, que gera discórdias, ódio e rancores, não deve ser dita. Não se deve, especialmente, dizer a verdade para aqueles que dela querem se servir para o mal.
SEGUNDO PASSO
Jesus ensina como se deve fazer para dizer a verdade a um irmão que está em perigo de se perder, porque está cometendo erros. São três etapas. Primeira: ir falar pessoalmente com o irmão de homem para homem, cara a cara. Esta é a tentativa mais delicada e muito difícil.
O segundo passo, se a primeira tentativa não der certo, é pedir ajuda a um ou a dois irmãos da comunidade, que tenham sensibilidade e sabedoria. Nunca é acusação e sim a pessoa no erro deve perceber que está falando com amigos, com pessoas que lhe querem bem. A última etapa é o apelo à comunidade. Em todas as etapas e ao longo da vida, Jesus sempre ensina: ninguém tem o direito de excluir aqueles que erram.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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