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Quando o assunto é violência no trânsito, Franca ocupa uma posição nada honrosa. É a oitava cidade do Estado de São Paulo com mais mortes, segundo estatísticas da Secretaria de Estado da Segurança Pública divulgadas no início de agosto. Está à frente de cidades com a maior frota, mas é a quantidade de ocorrências com motos que chama atenção das autoridades. Os Bombeiros atendem a uma média de cinco acidentes envolvendo motociclistas todos os dias. Entre janeiro de 2010 e julho de 2011 foram 3.303 chamados. “Aumentou a gravidade dos acidentes. Temos somente em agosto, quatro mortes em acidentes de moto e um caso gravíssimo envolvendo um policial que fraturou a perna”, disse Capitão Cleotheos Sabino de Souza Filho, comandante do Corpo de Bombeiros de Franca.
As motos permitem mais agilidade no trânsito, são mais baratas e econômicas. Em contrapartida, aumentam os riscos para os motoristas. Segundo o professor Coca Ferraz, coordenador do Núcleo de Estudos de Segurança no Trânsito da USP (Universidade de São Paulo), em São Carlos (SP), estudos revelaram que a chance de um condutor na moto se envolver em acidente é três vezes maior que num carro e o risco de morte sobe 30 vezes. “A moto não tem estrutura alguma para proteger o piloto. É como se ele fosse um pedestre. Se um automóvel bater a 50 km/h raramente haverá morte. Já na moto, uma colisão pode ser fatal”, disse Coca Ferraz.
O médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), atua na área desde 1979 e afirma que por ano 36 mil pessoas morrem nas vias brasileiras e 110 mil ficam com sequelas. Os especialistas acreditam que a violência no trânsito só será freada com a mudança de comportamento dos motoristas, investimentos em boa sinalização e dispositivos de controle de velocidade, fiscalização, educação sobre o trânsito desde a infância e campanhas. “É preciso chocar, expor fotos de acidentes graves, como fazem os países desenvolvidos”, sugere Coca Ferraz.
CALMA
O engenheiro de tráfego Alexandre Chioca, que trabalhou no setor de trânsito da Prefeitura de Franca durante dez anos, disse que os motoristas precisam adotar uma postura mais defensiva na direção . “A maioria dos acidentes acontece por imprudência”. Segundo ele, Franca melhorou a sinalização nas ruas, mas não houve muitos resultados porque os condutores precisam ser mais comedidos. “Os motociclistas ultrapassam pela direita, avançam o sinal vermelho, atravessam no meio do canteiro das avenidas. E quando não estão errados correm risco de serem vítimas de outros motoristas infratores. É preciso dirigir pensando no outro também”, disse Chioca. O delegado da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Franca, Augusto Ricci, afirma que a velocidade é o principal fator desencadeante de acidentes nas ruas.
Investir na formação dos condutores é outra medida sugerida por todos especialistas. O médico Dirceu Rodrigues Alves disse que os alunos de autoescolas aprendem a pilotar moto enclausurados, longe da realidade do trânsito. Para ele, é preciso introduzir nos cursos simuladores com todas as condições adversas do trânsito, como dirigir à noite, com chuva.
Outra proposta feita para combater a violência no trânsito é inserir na grade curricular das escolas a disciplina de educação no trânsito desde os cinco anos de idade. “Quando crianças, podem conhecer as placas de sinalização e na adolescência o porquê que um veículo capota, como a força da física é capaz de freá-lo e aprender que precisam ser responsáveis, que o veículo é para sua mobilidade e não para suas loucuras”, disse Dirceu Alves.
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