Imagens de Maria, 'Mãe Peregrina', visitam 3.450 famílias de Franca


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Momento de oração: Raquel Marilaque, Altiva Helena Silva, Ronalda Rodrigues Faccirolli, Vera Lucia de Carvalho e  Aparecida Dinair Fernandes  seguram imagem da santa
Momento de oração: Raquel Marilaque, Altiva Helena Silva, Ronalda Rodrigues Faccirolli, Vera Lucia de Carvalho e Aparecida Dinair Fernandes seguram imagem da santa

A fé católica para ao menos 3.450 famílias de Franca não está restrita às paredes das igrejas e paróquias da cidade. Atualmente, cerca de 118 imagens de Maria - chamadas pelos fiéis de Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável e também de Mãe Peregrina - visitam casas em quase todos os bairros de Franca o ano todo.

A consultora de vendas Ronalda Rodrigues Faccirolli, 42, moradora do Jardim Consolação, é uma das maiores incentivadoras da ideia. Ela conheceu o movimento em Poços de Caldas, no pouco tempo que morou na cidade mineira. Há um ano e cinco meses, quando retornou à sua cidade natal, procurou várias paróquias para receber a imagem em sua residência, mas teve uma surpresa. “Ninguém sabia falar sobre o movimento.”

A consultora entrou em contato com o santuário da cidade de Atibaia. Lá, foi instruída a procurar a diocese de Orlândia. Demorou pouco tempo para que recebesse o convite para ser coordenadora da cidade. “Foi um desafio muito grande, porque aqui em Franca estava bem parado, o pessoal não sabia nada do movimento”, diz.

No ano passado, Ronalda organizou a primeira missa em intenção a Mãe Peregrina. Apesar do desconhecimento, cerca de 2 mil pessoas estiveram presentes na igreja Nossa Senhora das Graças e acompanharam a celebração do bispo Dom Pedro Luiz Stringhni.

Para este ano, a missa para celebrar a “aliança amor” será no dia 16 de outubro e a previsão é de que o público aumente. “O movimento é muito rico. A espiritualidade dele vai muito de encontro com nossa realidade”, elogia. Na noite de ontem, na Paróquia São Benedito, foi realizada uma missa de envio, onde seis novas imagens foram preparadas para visitar mais 180 famílias da comunidade. A paróquia era uma das poucas da cidade onde o movimento ainda não havia chegado. A coroação das imagens está prevista para o ano que vem.

A IMAGEM
As famílias acolhem a imagem e oram, em pedido de graças e paz para o lar. A imagem fica dentro de um tipo de capela. Em cima da “capelinha”, há uma coroa, que os religiosos dizem simbolizar o poder que a santa tem para interceder na vida de quem tem fé. Cada imagem visita 30 famílias de uma comunidade, com data marcada. Junto com ela, há geralmente um saquinho, onde são depositadas ofertas em dinheiro e pedidos de oração. O dinheiro recolhido tem 10% direcionado a paróquia responsável e o restante é encaminhado para o santuário de Atibaia, um dos 22 existentes no Brasil -os mais próximos de Franca estão em Araraquara e Poços de Caldas. Quem autoriza ou não as ofertas é o pároco da comunidade.

HISTÓRIA
Ronalda conta que a história da peregrinação da imagem é antiga e teve início em 18 de outubro de 1914, na cidade de Schoenstatt, na Alemanha. O responsável foi o Padre José Kentenich, que construiu o primeiro santuário, que ganhou o nome de Obra de Schoenstatt. A intenção era criar uma “aliança de amor” entre a capela e Maria, mãe de Jesus.

No Brasil, a tradição já tem mais de 60 anos, e começou em setembro de 1950, quando a religiosa Teresinha Gobbo, do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, mandou fazer três capelinhas com a imagem da santa. Ela escolheu três católicos de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e deu uma imagem para cada um, com a missão de fazê-las visitar uma família por dia. Só o comerciante João Luiz Pozzobon levou o trabalho a sério. Até a sua morte, em 1985, percorreu cerca de 140 mil quilômetros com a imagem e por isso é considerado o brasileiro responsável pela divulgação do movimento.
 

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