Os R$ 5 milhões depositados nesta semana pelo governo do Estado nas contas da Santa Casa de Franca devem ser suficientes para que o hospital mantenha seu funcionamento sem novos cortes por mais dois meses. A partir de novembro, se o valor do repasse mensal feito pela Secretaria de Saúde de São Paulo não for reajustado, a suspensão de atendimentos e o cancelamento de procedimentos serão adotados. Os primeiros a serem atingidos devem ser os setores de oncologia e hemodiálise.
Com uma dívida acumulada que ultrapassa a casa dos R$ 40 milhões, o hospital tem mais de R$ 7 milhões em contas atrasadas com fornecedores. “Desde junho, temos que comprar os materiais à vista porque ninguém quer nos vender a prazo. O dinheiro do governo só poderá ser usado para compras novas. Com isso, usaremos os recursos do próprio hospital para quitar os débitos em atraso, mas ainda assim a situação é precária. Estamos vendendo o almoço para comprar a janta”, disse o presidente da Santa Casa, Luiz Prior.
Por conta da falta de recursos, o hospital adotou o que os funcionários vêm chamando de “economia máxima”, um pacote de medidas para reduzir os gastos. “Suspendemos parte do benefício de refeição concedido aos funcionários. Antes cada um pagava em torno de R$ 2 por refeição. Hoje esse valor é de R$ 3. Também diminuimos a diversidade de produtos oferecidos nas refeições. Devemos economizar cerca de R$ 30 mil”, disse Prior.
Outra medida foi o controle de todo material gasto em procedimentos. “Hoje tudo o que é usado é controlado para que não haja desperdícios. A ideia é fazer mais com menos”. Segundo os enfermeiros ouvidos pelo Comércio da Franca, até o comprimento da tipóia oferecida no setor de ortopedia hoje é medido.
O hospital também deixou manter um grande estoque de materiais. “Antes conseguiámos trabalhar com um estoque suficiente para 30 dias. Hoje esse período caiu para dois ou três dias. E há casos em que simplesmente não temos materiais, compramos conforme a demanda”.
Com o dinheiro depositado, a Santa Casa conseguirá um respiro. “Vamos poder pagar parte dos atrasados e a folha de pagamento. Agora se nada for feito por parte do governo, a situação voltará a ser muito delicada em 60 dias. Em meados de outubro, poderemos falar novamente em cortes. Hoje atendemos 1,2 mil pessoas no Hospital do Câncer, mas temos contratados pelo Estado apenas 700 atendimentos. O excedente será suspenso porque não teremos recursos para mantê-los”.
Hoje, por mês, segundo o presidente da Santa Casa, o governo repassa R$ 273 mil ao hospital que tem um gasto de R$ 2 milhões. “Não temos como arcar com tamanha diferença de valores”.
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