Machado de Assis já dizia: a dívida é a prova de crédito de um homem. Se você deve, é porque confiaram em você. Samuel Klein, fundador da rede de varejo Casas Bahia, sabia muito bem disso. Desde quando iniciou seus negócios, ainda com uma carroça como veículo de transporte, percebeu que as pessoas não tinham dinheiro para pagar na hora, mas que desejavam os produtos. Passou, então, a financiá-los, permitindo que o pagamento fosse feito depois, dentro de um prazo determinado.
Nessa linha de raciocínio, prosperou rapidamente, tornando-se em pouco tempo o maior varejista brasileiro. Seguindo seus passos, vários outros prosperaram, nos mais diversos ramos de negócios, aproveitando o crescimento da economia mundial, a maior oferta de crédito e as mudanças de comportamento que impactaram a sociedade nessas últimas décadas.
Com o passar do tempo, as pessoas foram se acostumando ao endividamento. No âmbito da sociedade de consumo, um desejo satisfeito passou a valer mais que os salgados juros cobrados pelos financiamentos.
Atualmente, o endividamento do brasileiro atingiu nível recorde. Apesar de ter diminuído consecutivamente nos últimos 3 meses, continua na casa dos 650 bilhões de reais, o maior de sua história.
Em Franca, especificamente, esse número também é alto. O valor financiado chega a 652 milhões de reais, 34% superior ao que foi financiado no mesmo período de 2010, o que nos faz ocupar a 15ª posição entre as 21 maiores cidades do Estado, incluindo a capital.
Mas, de forma geral, isso é bom ou ruim? A resposta não é simples e vai depender da forma como se analisa a questão.
Se avaliarmos que dentro desse montante a maior fatia foi direcionada para o financiamento de imóveis, é possível dizer que foi positivo. Mostra que o francano está confiante. Ao investir, faz a economia girar com mais força, o que gera mais emprego e renda para a cidade.
Por outro lado, se pensarmos que há também uma boa fatia direcionada para empréstimos e operações de crédito, não podemos deixar de nos preocupar, já que ela representa gastos e certo perigo de inadimplência, na mesma linha do que experimentamos na crise mundial de 2008.
Dessa forma, o ideal seria um pouco mais de cautela no endividamento. Equilibrar um pouco mais o consumo com a poupança não faria mal para ninguém, pois, na contramão do que pregava Machado de Assis, o aumento da dívida não é diretamente proporcional ao aumento da confiança. Mesmo considerando o bom momento da economia brasileira, é bom lembrarmos que as árvores não crescem indefinidamente até o céu. As crises históricas do capitalismo estão aí para provar.
Nesse sentido, é melhor por as barbas de molho, como diziam os mais antigos. E economizar um pouquinho.
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