É domingo, dia do Senhor, dia que os cristãos reservam um tempo especial para se encontrar com a comunidade, com os irmãos e louvam a bondade do Senhor
No dia que a Igreja Católica reflete sobre a reza pela vocação do leigo, queremos destacar a grande colaboração evangelizadora que os catequistas e as catequistas, com um trabalho abnegado, desenvolvem nas paróquias em prol da formação cristã de nossas crianças, jovens e adultos. Deus abençoe a todos (as). Mais uma semana temos pela frente: trabalho, estudo, convivência familiar e social, compromisso com os necessitados buscando o bem comum, cuidados com a saúde, etc.
Hoje, Deus, tem muito a nos ensinar através da sua palavra. Na modernidade, o discurso do sofrimento não atrai ninguém. Tomar a cruz e seguir Jesus é tornar-se um inconformado com as injustiças socais. Vejamos mais de perto o significado de tudo isso e contemplemos o segredo da vida que Deus nos transmite. Quais as lições que a Palavra nos oferece neste domingo?
PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura é um trecho do profeta Jeremias. Esse profeta era um homem de profunda piedade, ele era sensível ao sofrimento e à crise. Ele atuou na cidade de Jerusalém. Jeremias passou grande parte da sua vida denunciando tribunais injustos, sacerdotes que usam a religião em proveito próprio. Ele também tinha consciência de que o sofrimento dos seus compatriotas no exílio na Babilônia era algo justo.
A leitura de hoje mostra a sua grande decepção. Ele acusa Deus de seduzi-lo no serviço profético. E diz com todas as letras: “estou cansado de suportar, não posso mais”. Jeremias sabe que Deus mudara a sua vida. Quis casar e não o fez por causa da missão. Ele reclama e protesta contra Deus, como se este fosse responsável pela sua desgraça, pois ninguém queria ouvi-lo e até zombavam dele. No mais profundo sofrimento, Jeremias diz: “Maldito o dia em que eu nasci”. “Ai de mim, de minha mãe, porque tu me geraste”. O sofrimento do profeta interioriza as suas relações com Deus, que se torna seu íntimo. A sedução divina tomou conta de Jeremias. O seu sofrimento foi salvador.
SEGUNDA LEITURA
A segunda leitura é um pequeno trecho da carta de Paulo aos Romanos. O cristão é convidado a oferecer o seu corpo como hóstia viva, santa e agradável a Deus, como culto espiritual. O cristão não deve conformar-se com este mundo, mas transformá-lo. Tomar a cruz e seguir Jesus é não se deixar iludir pelo poder, pela pompa, pelo dinheiro e seus esquemas injustos, mas solidarizar-se com os que têm necessidade. As nossas celebrações precisam ter vida de amor, do contrário, nossa religião é completamente vazia, sem conteúdo, simples exterioridade, formalismo inútil. O cristão deve saber discernir qual o comportamento que agrada a Deus, ainda que não seja agradável aos homens. No evangelho narrado por São Mateus está expresso um convite: é necessário tomar a cruz e seguir Jesus.
Após Jesus demonstrar aos discípulos que deveria ir a Jerusalém para sofrer, morrer e ressuscitar, Pedro toma a palavra e pede a Deus que não permita que isso aconteça. Ao que Jesus lhe chama de pedra de tropeço.Pedro é a pedra em que Jesus não queria tropeçar na sua marcha, de bem-aventurado rumo à realização de sua missão até as últimas conseqüências. Não é que o poeta também tinha razão: “havia uma pedra no meio do caminho”... de modo que Pedro, tendo recebido as chaves do Reino dos Céus, não está isento das fragilidades humanas e das dificuldades.
A cruz era um dos instrumentos usados pelos romanos para matar escravos e condenados por rebeldia pelo império, os quais, nus, agonizavam na cruz. Morrer crucificado era o “suplício mais cruel e terrível”, segundo o historiador da Antiguidade Flávio Josefo. E, o que é pior, antes de ser crucificado, o condenado podia ser torturado e até mesmo crucificado de cabeça para baixo ou empalado no poste da cruz, de forma obscena. Os judeus sabiam muito bem o que era a crucifixão, pois muitos deles morreram assim. O judeu seguidor de Jesus, com certeza, foi tomado de espanto com essa proposta de seu mestre: tomar a cruz, de livre e espontânea vontade, e segui-lo, sabendo que iria morrer de forma cruel.
Jesus não propôs sofrimento por sofrimento. Mas aqueles que o seguissem, passariam por diversas situações desgastantes. Celebrando, neste domingo de agosto, a vocação do leigo, do catequista, na comunidade, é reforçar o papel do cristão batizado na Igreja que, mediante seu testemunho na transmissão de fé e na participação na vida da comunidade, segue, com fidelidade, a Jesus.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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