“Se deixar, eles aplaudem eles mesmos (risos)”, diz Adail do Couto Diniz, professor de música na Apae há 11 anos, responsável pelo Conjunto Portal e a fanfarra. Um dos alunos mais velhos da Apae, Luis Francisco Henrique Zago, o Chico, 45, fica tímido e relutante ao revelar a idade, mas se transforma ao tocar o surdo de olhos fechados “para sentir a emoção da música e receber os aplausos”, diz, envergonhado.
Ricardo Augusto Dalmazo, 28, toca o chocalho enquanto canta Fico Assim Sem Você, de Claudinho e Buchecha. “Até hoje não me acho um bom cantor. Preciso trabalhar mais a voz”.
Para descobrir o talento de cada aluno para os instrumentos, Adail faz testes. Num desses, revelou Daiele Cristina Soares Galvão, 18, fã de música sertaneja. “Amo o Gusttavo Lima. Gosto do Jorge & Mateus, do João Bosco & Vinícius, mas também de funk e forró”, diz, depois de cantar Não Precisa, de Paula Fernandes. O professor reforça que também leva músicas de outros gêneros, como Caetano Veloso, Clube da Esquina e sambas como Zeca Pagodinho.
Adail ressalta que o trabalho musical não tem como objetivo a técnica vocal ou instrumental. “O nosso maior objetivo é trabalhar de maneira que propicie alegria ao aluno. Alegria gera respeito, solidariedade, melhora o comportamento em casa e estabelece valores”, completa. Atualmente, 90% das salas da Apae têm musicalização na grade curricular.
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