Quem acompanha com atenção o governo Dilma Rousseff já percebeu: a criatura luta para “descolar-se” de seu criador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dá mostras de que, ao contrário do padrinho-antecessor, as demandas internas do PT e de seus filiados não encontram ressonância na administração da primeira presidente mulher do País.
A Presidente vem comandando o que o País chama de “faxina” nos ministérios e órgãos ligados a eles, consolidando, vez por todas, seu estilo de gerente. Embora ainda aja de forma bastante condescendente com o partido do vice-presidente Michel Temer, o PMDB, quem conhece Dilma no exercício do trabalho sabe que seus modos e jeitos são outros. É conhecido seu estopim curto – todos se lembram de sua passagem pela chefia da Casa Civil, onde nunca teve receio em desagradar tantos quantos fossem contra sua lisura administrativa – e, como se pode depreender, acabará enquadrando também os aliados. Não quer ver seu governo envolto em novos escândalos e preocupa-se com as denúncias quase diárias que explodem, como a cutuca-la, para ver como reage. Titubeou com o ex-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, mas, apesar de ainda pouca embocadura no exercício executivo da presidência, agiu, abrindo mão dele. Foi quase um teste ao qual se impôs, mas, certamente, gostou do sabor.
Fará, sem dúvida, a tal faxina e coordenará, também sem dúvida, uma reforma ministerial que substituirá alguns auxiliares que foi obrigada a herdar de Lula e os substituirá por técnicos que lhe permitirão libertar-se das amarras partidárias que atravancam ações que não quer deixar de empreender rapidamente. Em outras palavras, a “faxina” será seu grito de independência para implantar sua cara e seu jeito, sem dar chances para aliados (inclusive o próprio PT, ao qual é filiada) se rebelem e tornem muito difícil os próximos três anos e meio de governo;
As denúncias (e comprovações) de irregularidades que temos visto nos últimos tempos têm deixado Dilma Rousseff aborrecida, e isso é visível na análise de suas falas e ações. Sem intentar um desmonte da máquina partidária que tomou de assalto a administração federal nos últimos oito anos, a presidente não quer continuar convivendo com denúncias que causaram a queda de quatro ministros e o remanejamento de outros dois.
Deve estar usando com intensa repetição o jargão “meu filho...” – marca de seus momentos de impaciência – para que não restem dúvidas sobre o que pode acontecer com atores de novos deslizes e escândalos no cerne do governo federal. A missão não é fácil. Ao mesmo tempo em que tenta acalmar os aliados mais exaltados (depois de perder o apoio formal do PR, por causa da demissão do senador Alfredo Nascimento da pasta dos Transportes), ainda precisa administrar crises internas entre membros de partidos diferentes.
Por tudo isso, Dilma Rousseff não deverá ter a condescendência de Lula a escândalos de aliados. Ela já entendeu que, ao contrário do “padrinho”, qualquer problema novo será creditado diretamente na sua conta. Dilma está longe de ter o carisma de Lula e isto se reflete nas pesquisas divulgadas recentemente. Então, se quiser levar seu mandato a termo e marcar o nome positivamente na História do Brasil, precisa continuar dando as respostas rápidas que a sociedade espera. Até agora vem agindo com foco e determinação mas a maioria diz que a “faxina” seja ampliada, extirpando do governo federal corruptos e fraudadores, independente do partido ao qual pertençam.
Sidnei Ribeiro
Jornalista, editor do Caderno Brasil e funcionário do Comércio há 31 anos
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