Comunidade significa o estado do que é comum. Geralmente, refere-se a um conjunto de pessoas que vivem em um mesmo local e se organizam sob o mesmo conjunto de normas. Nesse sentido, desenvolvem relações recíprocas e buscam atingir objetivos comuns.
Os estudantes, por exemplo, formam um bom exemplo de comunidade, tanto quando moram em República como quando estão na escola, ambas com suas regras e normas determinadas.
Viver em comunidade, portanto, implica em abdicar de alguns direitos e desejos individuais em prol do bem coletivo.
Porém, se julgarmos com base na reportagem publicada pelo Comércio na quarta-feira, 24/08, talvez tenhamos algumas dúvidas quanto à permanência desses conceitos.
A matéria mostra quemoradores que habitam as redondezas do Centro Comunitário da Vila Santa Luzia estão reclamando do barulho excessivo promovido pelos freqüentadores do Centro, sobretudo nos finais de semana, quando o salão é alugado para festas.
O Centro Comunitário, construído pelos moradores há quase 40 anos, parece não fazer mais jus ao nome. Pelo visto, ao invés dos interesses comuns, agora estão prevalecendo os particulares.
É uma pena. Mais um exemplo daquilo que Freud já havia precisado há muito tempo, em seu famoso texto ‘O Mal-Estar da Civilização’. Para o grande psicólogo e pensador austríaco, a humanidade sempre sofrera com essa eterna disputa entre os desejos do indivíduo e as necessidades da vida em comunidade.
De um lado o indivíduo tentando burlar as regras e imposições do social. Do outro o social cerceando o indivíduo, buscando uma padronização que, já ao tempo de Freud, parecia cada vez mais difícil.
Se já era assim há quase 80 anos, podemos ter uma idéia do que isso significa nos dias de hoje. Em uma sociedade cada vez mais midiatizada pelo consumo personalizado e pelas tecnologias de comunicação móveis, em que o individualismo assume proporções jamais experimentadas na história da civilização, não é de se estranhar que os ‘festeiros’ do Centro Comunitário de Santa Luzia também extrapolem em suas comemorações, esquecendo-se de que nos arredores existem pessoas com direito ao sossego e ao silêncio.
Como essa disputa entre o individual e o coletivo é a grande questão da vida em sociedade, não podemos esperar que ela seja resolvida de vez, nem pelo bom senso nem pelas normas.
O que se espera, porém, é que quando elas surjam de forma mais veemente, que sejam administradas no sentido de preservar o bem comum, fundamental para a perpetuidade de nossa civilização.
Nesse caso específico, a questão é simples. Que venham as festas, os festeiros e todas as outras atividades do Centro Comunitário. Mas que venham com ordem, dentro das normas estabelecidas.
O que fugir a esse formato, será caso de polícia.
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