Um clima tenso marcou a audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa com a finalidade de reunir as propostas regionais a serem inseridas no orçamento fiscal do Estado para 2012. O encontro aconteceu ontem na Câmara de Franca. Também chamou a atenção a ausência dos dois deputados estaduais pela cidade. Verbas para a Santa Casa, educação, entidades assistenciais, ações de combate às drogas e investimento na agricultura foram os pedidos mais comuns.
Os deputados da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia estão visitando as regiões administrativas do Estado para ouvir as demandas da população. A audiência de Franca aconteceu na Câmara com reduzida presença de público. Os trabalhos foram conduzidos pelo deputado Mauro Bragato (PSDB), presidente da Comissão, e tiveram a participação dos deputados Major Olímpio (PDT), Donisete Braga (PT) e Ubiali (PSB). Roberto Engler (PSDB) e Gilson de Souza (DEM) não apareceram.
Primeiro, os parlamentares falaram da importância de manter um contato próximo com os municípios para conhecer as necessidades regionais. Na sequência, representantes da sociedade em geral foram à tribuna defender a inclusão de suas sugestões no orçamento do Estado. “Foram feitos pedidos de maior investimento no aeroporto, no setor da saúde, principalmente, na Santa Casa, na área social, na agricultura e no setor de infraestrutura. Muita coisa que foi colocada aqui não tem nada a ver com o orçamento do Estado. Surgiram algumas questões relacionadas ao município e governo federal”, disse Bragato.
Audiências do tipo, normalmente, são pacíficas. Não foi o que aconteceu ontem. Ao contrário dos deputados que tiveram tempo livre para discursar, as pessoas que participaram com sugestões não podiam falar mais que três minutos. O secretário de Finanças, Sebastião Manoel Ananias, foi quem mais se irritou. “O cidadão da mesa quer coordenar seu tempo, mas deixou que o deputado falasse à vontade. Quem deveria falar à vontade era o povo”. Ananias também trocou farpas públicas com o vereador Paulo Afonso. O petista insinuou que a crise financeira da Santa Casa seria reflexo da decisão do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) de entregar a gestão plena para o Estado. “Quem endividou a Santa Casa foi o PT quando fez a intervenção lá. Quem endividou a Prefeitura foi o PT quando esteve no governo”, rebateu o secretário.
Ao perceber que os debates estavam sendo guiados pela rivalidade partidária, o presidente da Comissão pediu aos participantes para se aterem apenas à apresentação de sugestões. Após a audiência, Mauro Bragato falou sobre o clima tenso que encontrou na Câmara. “É natural. É um exercício que a Assembleia pratica com muita dificuldade, pois temos de mudar a cultura política.”
O Estado espera arrecadar R$ 156 bilhões este ano. A peça orçamentária deverá chegar à Assembleia no fim de setembro para ser avaliada pelos deputados.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.