250 treminhões invadem vicinais e rodovias da região durante a safra


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MOVIMENTO - Pela Rodovia Fábio Talarico, entre Franca e São Joaquim da Barra, treminhão é flagrado segurando o trânsito. Motoristas precisam ter paciência
MOVIMENTO - Pela Rodovia Fábio Talarico, entre Franca e São Joaquim da Barra, treminhão é flagrado segurando o trânsito. Motoristas precisam ter paciência

Com a safra da cana, que acontece entre os meses de abril e novembro, sete vicinais e duas rodovias estaduais da região de Franca são invadidas por 250 treminhões que circulam sem parar, 24 horas por dia. Para os motoristas de carros de passeio e caminhões comuns que precisam circular nestas vias, os canavieiros são uma preocupação que chega a ter 30 metros de comprimento. Além do tamanho, problemas como excesso de carga, sinalização precária na saída dos canaviais, poeira e lentidão no trânsito aumentam o risco de acidentes.

Na região de Franca existem quatro usinas: a Buriti, localizada em Buritizal; a Cevasa, que fica em Patrocínio Paulista; a Alta Mogiana, pertencente a São Joaquim da Barra; e a Batatais, que fica na cidade de mesmo nome. Essenciais na logística da indústria sucroalcooleira, os treminhões trafegam dos canaviais às usinas, nas estradas que interligam cidades como Franca a São Joaquim da Barra; São José da Bela Vista a Nuporanga; Patrocínio Paulista a Batatais e Buritizal a Jeriquara. Em média, os veículos carregam até 70 toneladas de cana-de-açúcar.

Três vezes por semana, o motorista Geraldo de Melo França, 54, sai de São Joaquim da Barra com destino a Franca. Trafega pela Rodovia Fábio Talarico e gasta em média 40 minutos até chegar ao seu destino. Isso só não acontece quando ele encontra os treminhões canavieiros na pista. “Eu tenho que sair mais cedo da minha cidade para ter tempo de ficar atrás desses canavieiros. Às vezes, eu passo aperto quando ultrapasso eles, parece que meu carro vai ser jogado para o acostamento. A gente tem medo mesmo.”

A baixa velocidade desenvolvida pelos caminhões canavieiros também preocupa. Nas subidas mais íngremes, o treminhão carregado de cana chega a atingir dez quilômetros por hora. Pela legislação de trânsito, a velocidade mínima permitida para um veículo trafegar na rodovia é a metade da velocidade máxima do trecho.

Os gigantes das estradas assustam até quem tem larga experiência na estrada. Com 34 anos dirigindo caminhões por todo o país, o caminhoneiro de carga Antônio Jesuel Pereira, 53, viaja há três meses pelas vias da região. Morador na cidade de Catanduva (SP), o caminhoneiro segue até Pedregulho para fazer o carregamento de laranjas. Para ele, o trecho entre as cidades de São José da Bela Vista a Sales Oliveira é o pior que já viu. “Dá medo porque tem que ter atenção redobrada com a sinalização, principalmente à noite, pois a qualquer momento surge um treminhão na sua frente. As lanternas deles sempre ficam com poeira e elas ficam fraquinhas. Se você não fixar os olhos, bate na traseira mesmo”, disse o motorista.

A Usina Cevasa, em Patrocínio Paulista, informou que sob sua responsabilidade circulam pelas vicinais cerca de 60 treminhões, mas o serviço é terceirizado. A colocação de placas de sinalização e condições dos veículos são fiscalizados pelo setor de tráfego da usina. A empresa informou ainda que os treminhões circulam, em sua maioria, pela Estrada do Leite, que liga a cidade a Batatais.
 

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