Disparidade na Educação


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O segundo mandato de Lula foi pródigo em novas universidades federais. Foram várias em poucos anos. A argumentação, como sempre, era a dívida histórica do país para com os mais pobres. Na visão do governo, o acesso facilitado à educação superior daria aos mais carentes um melhor patamar de renda e empregabilidade, diminuindo assim a nossa persistente desigualdade social.

O argumento, em si mesmo, é bastante justo. Sua essência, porém, nem tanto. Revelou-se mais eleitoreira que justa, o que explica os problemas agora enfrentados por essas instituições. Levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo, com base em dados da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), mostra falhas nas estruturas físicas e laboratoriais de algumas, a ociosidade de vagas em outras e a falta de docentes qualificados em várias. Além disso, mostra, também, que a desigualdade social não foi muito abalada. Em algumas dessas instituições, a proporção de estudantes mais ricos chega a quase 80% do corpo discente.

Porém, o governo parece não se importar com esses dados, nem com essa política já tão controversa (e perigosa) de privilegiar o ensino superior em detrimento do ensino básico, consumindo de forma perdulária um grande volume de dinheiro, um montante que poderia ser muito melhor empregado se fosse direcionado para os níveis de ensino anteriores.

No último dia 16/08, em cerimônia realizada em Brasília, a presidente Dilma e o ministro da Educação, Fernando Haddad, lançaram mais 4 novas universidades federais. Além disso, serão abertos 47 novos campi universitários e 120 unidades dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia distribuídos por todo o país.

Enquanto isso, o ensino básico vai ficando à míngua. Escolas estruturalmente feias e decadentes, sem equipamentos adequados, com métodos antiquados e professores desmotivados. Espaços que aos poucos vão se transformando em zonas de confrontos, brigas e desmandos, como já demonstraram várias reportagens do Comércio.

Enquanto isso, a qualidade de ensino vai caindo assustadoramente, como mostram as avaliações promovidas regularmente por nossas autoridades e os testes internacionais dos quais participam os nossos estudantes.

Enquanto isso, o gargalo de nosso sistema educacional se aprofunda cada vez mais, despejando em nossas universidades e no mercado de trabalho alunos mal formados e despreparados para seguir adiante, seja nos estudos ou na profissão.

Enquanto isso, a importação de mão-de-obra estrangeira vem crescendo no país. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número desses profissionais no Brasil cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. São profissionais que vêm suprir a falta de mão-de-obra qualificada no país, o que acaba jogando nossos jovens para os empregos de mais baixa renda.

Já está mais que na hora de rever essas prioridades e maximizar os investimentos no ensino básico.

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