Na páginas 4 e 5 deste Clubinho falamos sobre lendas e até demos exemplos. As lendas foram criadas pelo homem primitivo quando ele não conseguia explicar algum fenômeno da natureza. Então, apelava para a imaginação e inventava seres fantásticos como o Saci, a Iara, o Curupira... Neste cantinho vamos falar sobre fábulas. Elas são um pouco dife-rentes das lendas. Um lenda pode ter como personagem um ou vários animais. Uma fábula deve ter um ou vários animais como personagens. Então, preste atenção para diferença que existe entre pode e deve.
Repetindo: uma lenda às vezes tem animais; uma fábula sempre tem animais. Na fábula, os animais falam, como se fossem seres humanos. E pela voz destes animais, o escritor ensina aos homens muitas verdades. Existiram muitos fabulistas escrevendo ou contando histórias para grupos de adultos ou crianças. O mais antigo de que se tem notícia foi Esopo. Ele viveu na Grécia, séculos antes do nascimento de Cristo.
Um escritor francês chamado Jean de la Fontaine, que em criança tinha ouvido os pais contarem fábulas de Esopo, resolveu escrevê-las e reuni-las em um livro, acrescentando outras histórias. Foram assim que apareceram as Fábulas de La Fontaine. Grande co-nhecedor da língua, ele escreveu a história em versos. Vamos dar um exemplo para você entender melhor. Para contar a história da raposa que queria comer uvas e, não conseguindo apanhá-las, desdenhou delas dizendo que estavam verdes, ele escreveu assim:
“ Certa raposa da Gasconha ou Normandia
Quase morta de fome, avistou bem no alto
De uma parreira uvas maduras,
De casca vermelha e macia,
Que podiam lhe dar almoço bom e farto;
Mas disse, não podendo as alcançar:
‘Estão verdes demais, só bobo as comeria’
Que fazer, senão se queixar?
Observe as rimas:
alto e farto;
macia e comeria;
alcançar e queixar;
normandia e macia.
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