Uma série de furtos ocorridos nos últimos meses tem apavorado os comerciantes de Itirapuã. Praticada durante a madrugada, a sequência de delitos mudou a rotina dos estabelecimentos e tirou o sossego típico da pequena cidade. Supermercados, padarias, açougues, bares, restaurantes e lojas de roupa engrossam a lista de estabelecimentos que já foram alvos dos ataques.
Proprietária de uma padaria no Centro da cidade, Irani Ramos Fornel teve o local furtado três vezes na mesma semana. Em um dos furtos, os ladrões levaram R$ 80 em moedas reservadas para o troco. Os ladrões não pouparam nem o cofre da santa que peregrina pelas lojas e casas do município. “A gente não dorme direito, porque eles entram de madrugada pelo forro”, disse ela que, em 13 anos de trabalho, nunca tinha vivido situação seme-lhante.
Entre as medidas já adotadas para combater os furtos, a comerciante instalou um alarme em conjunto com o açougue vizinho e chegou até a colocar pessoas para dormir no interior da padaria. “Estamos fazendo de tudo para evitar que isso aconteça novamente. Não temos mais tranquilidade.”
Funcionária de um supermercado, que pediu para não ser identificada, disse que tem medo de chegar no local de trabalho, nas primeiras horas da manhã, e ser surpreendida com um indivíduo dentro do prédio. Em um outro estabelecimento, a comerciante fica com o telefone ao lado do caixa durante todo o horário de funcionamento, que por precaução foi reduzido. “Resolvemos fechar uma hora mais cedo e estamos mais atentos. Como a cidade fica um pouco deserta, porque todo mundo trabalha, temos medo até de dia”, disse a comerciante Lussara Gomide. Ela também pretende instalar censores de presença no supermercado.
MENORES
As suspeitas dos comerciantes são que grupos envolvendo menores, muitos deles da própria cidade, estejam agindo no município sem medo de serem descobertos ou presos. “Todo mundo sabe quem é, mas nada tem sido feito. A cidade está desamparada”, reclamou uma mulher que, por medo, não quis revelar o nome. “Aqui todos se conhecem. Depois podem me fazer alguma coisa.”
Dono de uma pastelaria na praça central, Cristóvão José de Oliveira teve o estabelecimento furtado na segunda-feira da semana passada e, pela forma de agir do invasor (ele desceu pelo teto próximo a parede de entrada do banheiro, onde é possível colocar os pés), desconfia que a pessoa estudou o local antes. “Pedimos por mais policiamento, que intensifiquem a ronda noturna na cidade. É preciso dar um basta.” Após a ação, Oliveira mandou refazer o forro e reforçou a fechadura do alçapão do prédio.
Em um restaurante na entrada da cidade, que foi furtado duas madrugadas seguidas nesta semana, os proprietários mandaram instalar grades nos vitrôs e janelas e providenciaram alarme e portas mais resistentes. Nos furtos, além de dinheiro, os ladrões levam alimentos, cigarros, bebidas, pilhas, equipamentos eletrônicos, botijões de gás cheios e até salgados congelados.
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