Você já se imaginou dependurado em barras de ferro fixadas a mais de 15 metros do chão, fazendo movimentos artísticos e saltando de uma barra para a outra com acrobacias? Se a tarefa parece impossível para aqueles que têm medo de altura, os trapezistas de circo encaram com naturalidade a necessidade de manter o equilíbrio em pequenas estruturas de ferro e ainda encantar o público com piruetas e cambalhotas no ar. Uma das principais atrações do circo, o trapézio é uma atividade que exige muito treinamento e qualificação profissional.O Circo di Napoli, que se apresenta em Franca até o próximo domingo (28), tem em sua equipe três irmãos trapezistas que trabalham juntos nas alturas e carregam a tradição de uma vida no picadeiro. George, Alexandro e Alexis Souza são filhos de profissionais do circo e nasceram no meio artístico, trabalhando em espetáculos desde a infância. Na época vendiam pipocas ou realizavam as primeiras acrobacias na cama elástica. “Com 8 anos eu entrei pela primeira vez no picadeiro para realizar saltos. Aos 9 já andava de bicicleta no picadeiro”, comenta o trapezista George Antônio de Souza, de 40 anos.
Apesar de toda a alegria que o público vê no momento do espetáculo, a rotina de um profissional do circo não é fácil. Os circos de grande porte costumam realizar temporadas de cerca de um mês em cidades com pelo menos 150 mil habitantes, locais onde há público interessado em assistir os espetáculos. São mais de 10 municípios por ano
E é exatamente desse ritmo acelerado que o jovem Alexandro Souza,19, trapezista no Circo Di Napoli, diz gostar mais. Ele garante que consegue adequar sua vida particular à profissional. “Acordo às 7 horas, ajudo minha mãe no mercado e ensaio no período da tarde e depois dos espetáculos. Quando sobra um tempo, adoro andar de bicicleta para conhecer as cidades por onde o circo passa”, comenta Alexandro.
O fato de não ter residência fixa não é problema para o jovem trapezista, que é acompanhado por irmãos e pela mãe. Quando o assunto é namoro, o jovem também não tem do que reclamar. A namorada, Brenda Krateyl, é malabarista. “Sempre vamos ao shopping. Adoramos ir ao cinema. Saímos na segunda-feira que é nossa folga. Além disso, sempre encontramos uma forma de namorar entre os treinos ou entre um espetáculo e outro. A gente arruma tempo para uns beijinhos”, conta Alexandro. Os finais de semana são mais sacrificantes em razão do acúmulo de trabalho pelo elevado número de apresentações, podendo chegar a cinco em um único dia.
Apesar de não haver nenhuma restrição de idade para a prática do trapézio, a recomendação é que os profissionais iniciem as atividades na infância ou adolescência, período em que existe maior facilidade de aprendizado e disposição para treinamentos repetitivos e exaustivos. “O treino tem que ser diário e não se pode desistir diante das dificuldades. Também é preciso dormir bem para suportar a rotina de treinamentos do trapézio, que é muito puxada”, recomenda George que iniciou a prática na adolescência e fez seis anos de aulas em escolas de circo em Porto Alegre e Curitiba.
A remuneração dos trapezistas é equivalente a de outras profissões no início da carreira, em média de R$ 300 a R$ 400 por semana. Há ainda a possibilidade de complementar a renda auxiliando o circo na venda de alimentos e bebidas durante o espetáculo. Trapezistas que já possuem carreira consolidada e tem nome forte dentro do circo podem ganhar mais de R$ 1 mil por semana, valor que leva em consideração as apresentações individuais e mais difíceis.
Se torne um!
Principais características
Não ter residência fixa (para profissionais de circo)
Gostar de praticar exercícios físicos
Persistência e dedicação aos treinamentos
Não se importar de trabalhar aos finais de semana
Rotina de trabalho
Diariamente os trapezistas treinam para manter a habilidade e a precisão nos movimentos. Na maioria das vezes os treinos são realizados no período noturno para evitar o forte calor devido a proximidade com o teto dos centros de treinamento ou da lona do circo. Aos finais de semana, trabalham nos espetáculos em picadeiro e os profissionais que atuam por conta própria participam de eventos e apresentações.
Onde trabalhar
Circos, oficinas e eventos
Onde estudar
Em Franca
Escola de Circo - Crianças de 12 a 14 anos podem participar de projeto itine-rante que permanece 4 meses em cada bairro. O atendimento é gratuito e ocorre no centro comunitário do Jd. Vicente Leporace I. Modalidade de trapézio: simples. Mais informações com Ítalo Boraschi pelo telefone 9199-3379
Em São Paulo
Academia Brasileira de Circo - Aulas de 90 minutos Modalidades de trapézio: simples, duplo, lira e tecido.
Preços variam de R$ 50 (aula avulsa) a R$ 290 para cinco aulas na semana. Atendimento a todas as faixas etárias e crianças possuem preços diferenciados. Informações em www.academiadecirco.com.br
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