“Sem estudo a gente vive na escuridão.” A afirmação de Eurípeda Maria Mota, 54, resume a realidade dos 685 alunos matriculados no EJA (Educação de Jovens e Adultos) de Franca. Alguns deles tentam se alfabetizar há anos, sem sucesso. Mas uma nova ferramenta promete auxiliar esses estudantes neste processo: o smartphone. A partir do próximo dia 31, a turma de Eurípeda - formada por 10 alunos que apresentam maior dificuldade de aprendizado - será incluída no Palma (Programa de Alfabetização na Língua Materna) e receberá os aparelhos gratuitamente. A cidade é a 4ª a participar do projeto experimental inédito criado pelo matemático José Luis Poli, de Itatiba (SP).
Rita Mozetti, coordenadora do Projeto de Alfabetização de Jovens e Adultos, afirma que a empresa responsável pelo projeto ofereceu à Secretaria Municipal de Educação a oportunidade de testar o programa, que é dividido em cinco níveis: alfabeto e jogos, sílabas simples, sílabas complexas, vocábulos e interpretação de textos. “Se atender as expectativas, a Prefeitura deve expandir o programa no próximo ano”, disse.
A alfabetização pelo celular acontece por meio de um software com recursos de áudio e imagens. Os alunos recebem o aparelho já com créditos para enviar as respostas dos exercícios por mensagens SMS. Para passar de nível, o estudante faz uma avaliação. Todas as respostas são acompanhadas pela professora através de um notebook. “A qualquer momento que o aluno acessa esse aparelho recebo mensagens e vejo as atividades que realizou, os acertos e erros. Inclusive, a partir dos erros poderei elaborar atividades para a sala de aula”, avalia Rosemary Masson Ferreira Gomide, professora de Eurípeda, que estuda no núcleo da Paróquia Nossa Senhora das Graças.
A alfabetização pelo celular é um programa complementar à educação formal de jovens e adultos. Por isso, o aprendizado com o smartphone ocupará apenas meia hora de cada aula, mas o aluno fica livre para usá-lo quando quiser. “A expectativa é positiva porque o aluno pode acessar o smartphone de casa, no ponto de ônibus, na hora do almoço...”, reforçou Rita.
“Acho que vai ser mais fácil. Hoje não estudo em casa porque não sobra tempo, mas vou me esforçar mais”, garante Leozina Oliveira Sousa, 62. “Vou aprender a mexer (sic) no celular e a ler e escrever. É uma alegria, vai ser chique demais”, completa Eurípeda, que não tem celular e estuda ao lado da filha Oripa da Silva, 41.
Ansiosa com a possibilidade de aprender mais, Eurípeda diz que a alfabetização já está mudando sua vida. “Sem saber ler, a gente é cega. Agora já fico no meio do povo mais tranquila, não passo aperto, de jeito nenhum (risos).”
O EJA
Em fevereiro, os educadores do EJA saíram às ruas para recrutar os alunos. A meta era conseguir 830 estudantes, mas hoje só 685 estão matriculados nas 37 salas. As matrículas podem ser feitas em qualquer período do ano por pessoas a partir de 15 anos que não tenham estudado. Informações: (16) 3711-9226.
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