Para aumentar seus ganhos e garantir uma renda maior, alguns francanos têm se desdobrado. Por mais dinheiro, vale dobrar a jornada, fazer bicos e hora extra no emprego. O sacrifício, segundo os profissionais ouvidos pelo Comércio, compensa. A maioria deles consegue sustentar suas famílias, garantir a compra da casa própria e de carros e até fazer “mimos” para os filhos.
Na tentativa de ganhar mais e viver melhor, o entregador de pizza Sidnei Gonçalves Sepulvida, 41, vive uma rotina puxada há mais de dois anos. Durante o dia, faz trabalhos autônomos entregando documentos em empresas. “Já tenho clientes fixos, são mais de oito horas como se eu fosse um ‘homem correio’, fico para lá e para cá resolvendo problemas”, disse. A partir das 18 horas, ele assume o posto de entregador de pizzas. “A jornada é puxada, vou até uma e meia da manhã. Mas vale a pena. Nosso custo de vida é alto, tenho que sustentar minha família: mulher e dois filhos de 13 e 15 anos”, disse Sidnei que nos dois empregos consegue uma renda mensal de R$ 2,5 mil.
A jornada de trabalho da cozinheira Fabrícia Cristina Santos Oliveira Souza começa bem cedo, às 5h30 da manhã. Logo às 7 horas ela precisa dar início às atividades no refeitório de uma fábrica de calçados no Distrito Industrial. “Corto, lavo e preparo os alimentos. Trabalho há nove anos como cozinheira”, disse. São sete horas de trabalho no refeitório. Quando sai de lá, por volta das 15h30, ela retira o avental e passa a exercer a profissão de manicure e depiladora em um salão de beleza. “Após meu marido perder o emprego, tive que me desdobrar para ajudar a manter a casa financeiramente. Há quatro anos passei a trabalhar no salão. Fui gostando e mesmo após meu marido ter arranjado um emprego quis continuar”. disse.
No salão de beleza, Fabrícia entra às 16 horas e, dependendo do movimento, chega a sair após as 21 horas. Apesar das dificuldades que enfrenta por assumir dois empregos - como a locomoção de um para o outro e a distância do filho de 5 anos, que só vê à noite, a cozinheira e manicure diz que está satisfeita. Com o dinheiro que recebe nos dois empregos - cerca de R$ 1,3 mil - Fabrícia ajuda o marido a pagar as despesas de casa e consegue satisfazer as vontades do filho. “É difícil trabalhar tanto assim, mas vale a pena, porque posso dar boas condições de sustento ao meu filho, presenteá-lo quando pede”, disse ela, que nos próximos meses ainda pretende tirar a carteira de motorista e, quem sabe, comprar um carro.
Segundo o Ministério do Trabalho, não há estatísticas de quantos francanos possuem mais de dois empregos. “Não temos como identificar essas pessoas, já que a maioria trabalha informalmente, principalmente, na segunda jornada do dia”, disse Jamil José Leonardi, gerente regional do Ministério do Trabalho em Franca.

MANICURE - Em um salão de beleza, Fabrícia entra às 16 horas e dependendo do movimento chega a sair após as 21 horas. Apesar das dificuldades que enfrenta, ela se diz satisfeita
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.