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DESABAFO - Etiene Alberto, secretário de Saúde de Ribeirão Corrente: ‘Temos que ficar tentando apagar o pavio, comprando serviços que o Estado tem obrigação de oferecer’
DESABAFO - Etiene Alberto, secretário de Saúde de Ribeirão Corrente: ‘Temos que ficar tentando apagar o pavio, comprando serviços que o Estado tem obrigação de oferecer’

“A situação da saúde na região está caótica, é uma bomba-relógio que a qualquer momento vai explodir.” O desabafo é do secretário de Saúde de Ribeirão Corrente, Etiene Alberto. Além de sofrer com o corte de cirurgias eletivas e com os exames de ultrassom e endoscopia - feito pela Santa Casa de Franca há pouco mais de dois meses e que já afeta quase 80 pacientes da cidade vizinha -, o município tem outra preocupação: o acompanhamento de seus doentes.

A cada mês, pelo menos 120 pacientes de Ribeirão Corrente são consultados no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) em mais de dez especialidades. Caso seja diagnosticado um problema que precise de acompanhamento médico, esse paciente não tem para onde ir. “O AME é um laboratório de primeira consulta, apenas para diagnosticar a doença. Depois, o paciente precisa de acompanhamento. É aí que começam nossos problemas. Franca, por exemplo, tem o NGA. Nós não temos nada hoje”, disse Etiene.

A situação, segundo o secretário, é ainda pior em algumas áreas em que não há nem mesmo os médicos especialistas disponíveis para a primeira consulta, como mastologista; médico de cabeça e pescoço; neurologista infantil e psiquiatra adulto e infantil.

De acordo com Etiene, os problemas começaram em outubro de 2010. À época, a Santa Casa de Franca, que atendia o município pelo Pré-AME, por conta de um acordo assinado com o Estado em 2008, deixou de realizar as consultas de especialidades bem como o acompanhamento dos pacientes. A partir de então, coube ao AME realizar os atendimentos.

Na área de neurologia infantil e psiquiatria adulto e infantil, por exemplo, o departamento de Saúde de Ribeirão Corrente tem comprado os serviços de um hospital de Franca. Para os demais, a cidade espera um posicionamento do Estado ou a retomada pela Santa Casa. “Nós, gestores municipais, temos que ficar tentando apagar o pavio, comprando serviços que o Estado tem obrigação de oferecer aos municípios”, reclama o secretário.

A Santa Casa nega que tenha interrompido o Pré-AME em outubro do ano passado. De acordo com o hospital, os atendimentos às cidades da região com consultas especializadas começaram em 2008, mas só foi interrompido em junho de 2011. Já o Estado, que é quem paga os serviços, foi questionado, mas não respondeu sobre essa situação.
 

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