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‘Família coletiva’ - Empresária do Distrito Industrial cuida de 12 cachorros de rua, com alimentação e medicamentos
‘Família coletiva’ - Empresária do Distrito Industrial cuida de 12 cachorros de rua, com alimentação e medicamentos

Pingo é da raça border collie e aos seis meses foi abandonado no Distrito Industrial de Franca. Após ficar um mês no mesmo local onde seu dono o deixou, triste e sem cuidados, com a coleira apertada, resolveu ceder ao carinho de uma empresária que há quatro anos cuida dos animais que aparecem por ali. O cachorro é o mais novo da “família comunitária” e ganhou 11 “irmãos”. Eles vivem na rua, mas são alimentados e medicados como cães de estimação. “Só cuido porque tenho dó. Não é a minha missão. Peço a Deus todos os dias para arrumar um lugar para eles”, disse a empresária de 42 anos, que prefere não se identificar para evitar que mais animais sejam abandonados na porta da fábrica.

“As pessoas são muito cruéis. Já flagrei um homem jogando uma bassê pela janela do carro em movimento, como se fosse um copo descartável. Ela quebrou a bacia. Fico estarrecida. Não acho justo o quê o ser humano faz”, disse a empresária enquanto acariciava a cachorrinha Bebê, que se recupera de uma cirurgia na coluna.

A empresária conta que cães e gatos de diversas raças e idades são abandonados no bairro, alguns ainda cheirando xampu e os filhotes dentro das caixas. “Já acolhi mais de 30 cães de raças como labrador, poodle, perdigueiro, border collie, vira-lata... Aqui eles são bem tratados: comem, tomam vermífugo e são castrados”, ressaltou, revelando que conta com o apoio da ONG Cão que Mia e de um veterinário que cobra mais barato pelos atendimentos. Mesmo assim, os gastos dela com os animais ultrapassam R$ 1 mil mensais.

Alguns cães e gatos conseguem novo lar. “Anuncio no jornal e vou até a casa da pessoa interessada para ver se ela realmente vai cuidar do animal. Também muitos fazendeiros passam por aqui e levam para as suas propriedades”, disse a empresária, que em breve mudará para uma casa maior e tem planos para Pingo. “Já fiz um canil para os meus cachorros (particulares), mas ele é especial e vai ficar em casa. As pessoas falam que parece que ele conversa comigo.”

A empresária, que não é a favor da carrocinha, reclama que a população de cães está crescendo em Franca e que precisa haver conscientização dos próprios donos. “Se todos guardassem os cães dentro de casa, não haveria procriação”, disse.

‘AMOR EM TROCA’
A paixão pelos animais abandonados surgiu ainda na infância. Aos 12 anos, ela já deixava comida e carne na calçada em frente de sua casa, na Avenida Major Nicácio. Hoje, aos 76 anos e na mesma residência, nada mudou, mesmo sendo alvo de reclamações dos vizinhos por várias vezes. “Tenho uma geladeira cheia de comida. Gasto muito dinheiro para comprar ração e miúdos”, contou eufórica a senhora, que também prefere não se identificar.

Ela conhece todos os cachorros que perambulam pelos bairros adjacentes e transmitiu aos familiares o amor por esses animais. “Minha sobrinha tem cinco em casa e 15 no rancho. O filho dela me pede cachorro de aniversário”, disse entusiasmada enquanto seus dois cães, adotados por ela há muitos anos, brincam em suas pernas e quase a derruba.

E vale a pena toda essa dedicação? “Sim. Eles me dão muito amor em troca”, garantiu.
 

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