O trânsito de Franca mata uma pessoa por semana. É o que revelam as reportagens sobre o tema publicadas pelo Comércio entre 1º de janeiro e 15 de agosto deste ano. Neste período ocorreram 35 mortes nas vias da cidade, incluindo as rodovias vicinais de responsabilidade da Polícia Militar e as estradas estaduais que cortam o município e que estão sob jurisdição da Polícia Rodoviária. Do total de mortos, 80% equivalem a pedestres e motociclistas que perderam suas vidas nos mais de 1.300 acidentes de trânsito com vítimas registrados em pouco mais de 230 dias.
Conforme o balanço, ocorreu uma morte a menos este ano em relação ao mesmo período de 2010. Mesmo assim ainda é grande entre as vítimas o percentual de pedestres e motociclistas: 80%. Foram 14 atropelamentos fatais e 14 condutores de motos mortos nas ruas e rodovias de Franca. Já entre condutores de bicicletas e ocupantes de carros, foram sete mortos: dois ciclistas, três motoristas e dois passageiros.
Comandante da Força Tática e do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, o capitão Marcus Alexandre Moraes de Araújo classifica como preocupante o número de mortes. Ele aponta a falta de conscientização do motorista como um dos principais fatores para o elevado número de acidentes. O oficial acredita que, neste momento, o aumento da fiscalização, em especial das motos, seja a medida mais sensata para diminuir o número de acidentes.
Sobre o porquê aumentar a fiscalização dos motociclistas, o capitão foi direto: quem anda de moto é mais imprudente. “Eles têm que colocar na cabeça que eles têm que dirigir para eles e para o pessoal que está ao lado. Justamente é o veículo que traz a menor proteção para o condutor. Muitos deles são jovens, que acabam de comprar a motocicleta e acham que têm o domínio da máquina, só que isso não acontece.”
O secretário de Segurança e Cidadania, também responsável pela Divisão Municipal de Trânsito, Sérgio Buranelli, também aponta a imprudência como um dos maiores fatores de acidentes na cidade. “Nas ruas ou rodovias, se você cochilar, em fração de segundos já está batendo do outro lado da pista, ou capotando e batendo de frente com outro veículo”, alerta Buranelli.
8ª MAIS VIOLENTA
A violência no trânsito é confirmada pelas estatísticas da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Publicadas no início do mês, elas levam em conta as ocorrências registradas nos seis primeiros meses do ano e apontam que Franca é a oitava cidade do ranking de mortes em acidentes de trânsito no Estado. A cidade é a 21ª mais populosa, mas é a 14ª em frota de veículos, com 188 mil - média de 1,69 habitantes por automóvel.
Ao comentar a posição de Franca no ranking das cidades com maior violência no trânsito, Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), explicou que nas áreas de grandes concentrações de veículos e pedestres, a chance de acidente é reduzida. “No interior (como é o caso de Franca) você pode imprimir maior velocidade. Nas grandes cidades a velocidade é baixa porque não dá para transitar”, afirma Alves Júnior.
Sobre como acabar com a violência no trânsito, o diretor da Abramet acredita que ela só vai diminuir com ações governamentais e autoescolas melhores. “Se nós pegássemos esse condutor e formássemos de maneira melhor, dando a ele simuladores com todas as condições adversas que ele encontra no trânsito, como dirigir na chuva, à noite, com foco de luz no rosto, saber desviar de um veículo a 80 km/h, evitando um acidente, seria ótimo. Mas nada disso é aprendido”, lamentou.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.