Mil e quinhentos atendimentos deixaram de ser feitos pela Santa Casa desde que a entidade cancelou parte dos procedimentos do SUS (Sistema Único de Saúde) para conter o avanço de sua crise financeira. Após 64 dias, cerca de 1.200 consultas especializadas e 300 cirurgias eletivas deixaram de ser realizadas. O governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), prometeu ajudar o hospital com a liberação de R$ 5 milhões. Mas a verba virá a conta-gotas. Ontem, R$ 1 milhão foram creditados à Santa Casa. Os R$ 4 milhões restantes, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, serão depositados em quatro parcelas mensais consecutivas. A diretoria do hospital alerta que a situação pode se tornar insustentável e novos cortes podem acontecer caso o déficit não seja coberto.
O valor recebido quarta-feira pela Santa Casa representa 20% da quantia anunciada pelo Governo Estadual no dia 5 de julho para amenizar a crise financeira da entidade. Atualmente, a dívida do hospital é de R$ 42 milhões e o déficit mensal ultrapassa R$ 2 milhões. A diretoria aguardava o depósito integral da quantia prometida pelo Estado. “Isso expõe a Santa Casa e nos coloca em uma situação crítica. Contávamos com os R$ 5 milhões de uma vez, conforme foi combinado. Não que R$ 1 milhão não seja importante, mas está muito aquém do que foi comprometido pelo governo do Estado”, disse Luís Aurélio Prior, presidente da fundação Santa Casa.
Enquanto aguarda uma solução para quitar as dívidas e pagar os fornecedores, o atendimento não retorna à normalidade. São cerca de 25 atendimentos que deixam de ser realizados diariamente desde que a interrupção nos serviços foi anunciada no dia 14 de junho. Desde então, as consultas especializadas do Pré-AME, realizadas para as cidades da região, estão sendo redirecionadas para seus municípios de origem. Já os procedimentos cirúrgicos sem caráter emergencial são encaminhados ao Departamento Regional de Saúde (DRS-8) para que haja a devida regulação dos pacientes e seja feito o eventual encaminhamento para outros hospitais que atendem pelo SUS.
Segundo a assessoria do hospital, não está prevista nova interrupção de procedimentos, mas a situação pode se tornar insustentável. “(Novos cortes) não estão previstos, mas serão inevitáveis se o déficit operacional não for coberto imediatamente e se as dívidas com fornecedores não forem pagas. Sem insumos, é impossível para qualquer hospital atender. Um dos serviços comprometidos pode ser o atendimento de urgência e emergência.”
AJUDA MUNICIPAL
Procurando colaborar com a Santa Casa, a Prefeitura de Franca deve repassar R$ 108 mil mensais ao hospital.
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