Por volta das 7 horas da última quinta-feira muitos alunos uniformizados saíram dos mais diversos bairros rumo ao Centro para, pretensamente, participar de comemoração alusiva ao Dia do Estudante. Durante a caminhada por diferentes ruas e avenidas de intenso tráfego (não confundir com tráfico, esse acontece nas artérias de menos trânsito) o burburinho já era muito forte.
Quem conhece a rotina escolar sabe muito bem que os alunos que convergiram para o Centro são os mais indisciplinados de suas escolas. Os demais estudantes permaneceram nas unidades de ensino ou retornaram para suas casas. Apenas uma minoria participou da arruaça na Praça Nossa Senhora da Conceição.
A baderna generalizada para comemorar o Dia do Estudante foi reportada na edição de sexta-feira deste Comércio. Os leitores se espantaram com as ações dos alunos em plena praça. Funcionários de escolas enfrentam parte da demonstração de incivilidade dos alunos quase que diuturnamente, nos estabelecimentos de ensino.
A praça central tão somente se transformou em uma extensão da escola, naquele dia. Sala de aula que tem casal de namorados costuma servir de palco para carícias ousadas. Se o professor barrar os carinhos obscenos, acaba sendo tachado de chato. Quando o namoro acontece nos corredores ou no pátio, ai de quem se atrever a interferir!
O engraçado disso tudo é quando se trata de namoro homossexual. No caso de casal heterossexual ainda se pode chamar a atenção. Entretanto, se as demonstrações de carícias acontecerem entre casais do mesmo sexo, não se pode falar nada. A restrição ao ato caracteriza preconceito. Já houve até demissão de professora por tentar conter os carinhos entre dois garotos em pátio da escola.
Sexo em público e drogas entre os menores de idade causam espanto. Aliás, para adolescentes, até entre quatro paredes, sexo é complicado. Droga então, além da complicação, toda ela é ilícita. Mesmo assim, é isso que rola nestas festinhas improvisadas pela garotada. Se deixar, aprontam em casa, na escola ou na praça. Será que os pais não sabem ou pensam diferente?
A grande verdade dos dias de hoje é que parte das pessoas perdeu as rédeas da garotada. A escola tem o dever de receber a todos. Pela legislação não pode excluir ninguém. O estudante que bebe e fuma está a um passo de experimentar drogas ilícitas e caminhar celeremente para a dependência química.
Como se sabe, a dependência é considerada uma doença que não permite o desenvolvimento de atividades rotineiras. A pessoa não consegue trabalhar ou estudar. A par disso, só pode ser internada por vontade própria. A lei não permite internação involuntária mas manda dependente de drogas de volta para a escola. Mesmo com ele não querendo estudar.
Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br
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