Tudo é graça a Deus: o mundo, a vida, os alimentos que recebemos, as alegrias, as tristezas, a família que possuímos, este domingo, os nossos pais!
Em cada domingo nos reunimos junto ao Pai maior que é Deus, para ouvir sua palavra e celebrarmos o memorial da páscoa de seu Filho, Jesus ,que nos salvou, no Espírito Santo que nos santificou. Pela Palavra proclamada nas missas deste domingo saberemos de que jeito Deus é: um Pai que, em sua misericórdia, é capaz de acolher a todos sem distinção, pois, para ele, a fé não depende de raças, fronteiras ou culturas.
No mês das vocações, celebrando o Dia dos Pais, nos encontramos diante de mais uma vocação. Todos nós necessitamos da segurança paterna.
PRIMEIRA LEITURA
O contexto da primeira leitura é a volta do exílio da Babilônia, onde o povo estivera escravo por volta de 50 anos. Vários projetos, vários sonhos foram traçados pelo povo de Deus para reconstruir a sua identidade como povo da aliança.
Um dos projetos com o título de “luz das nações” fazia que o povo judeu passasse a ver os estrangeiros como irmãos de convivência e membros do povo eleito. Na leitura de hoje, vemos o profeta Isaías denunciando o fato de que o povo, ao rejeitar o estrangeiro, estaria violando a aliança que Deus havia feito com eles – a de agir com justiça e não com a exclusão de outras pessoas – e estaria atando Javé a um único povo, Israel, considerado santo e puro. Outros livros bíblicos da época, como Rute e Cântico dos Cânticos, também se opõem a Esdras e Neemias. Discriminar a mulher ou associar a pureza a ritos e observâncias de leis não garante a salvação.
SEGUNDA LEITURA
A segunda leitura que é um trecho da carta de Paulo aos Romanos traz como tema central: Deus é misericordioso e salva a todos. A reflexão oferecida por São Paulo é muito bela pois revela a gratuidade e grandeza do amor de Deus para com todos.
Os judeus, aos quais foi enviado o Messias, Jesus, o rejeitaram. Os pagãos, por sua vez, tornaram-se os escolhidos para o projeto salvífico. Deus não abandona aqueles que o rejeitam, mas, por meio dos apóstolos, como Paulo, oferece a salvação aos pagãos do império romano. A recusa de Cristo por parte do seu povo não durará sempre. Dia virá em que também os israelitas reconhecerão em Jesus de Nazaré o Messias anunciado pelos profetas.
O que aconteceu com o povo de Israel, pode se repetir com os cristãos de hoje. Os israelitas se consideravam os prediletos de Deus e tinham certeza que nunca perderiam os seus privilégios. Quando nos sentimos “donos” de Deus ou das suas coisas; quando nos tornamos vaidosos por pertencermos a este ou aquele instrumento de evangelização; quando nos achamos mais que os outros, corremos um grande risco de bloquear o caminho da conversão pessoal. Nos tornamos o “centro” de tudo e não “Deus” o Senhor da nossa vida. Essa vaidade espiritual nos afasta da graça da salvação. Isso se torna um grande perigo.
EVANGELHO
O evangelho de hoje é a continuidade da temática do acolhimento do estrangeiro. A cena é marcada por uma mulher cananeia, de um lado, e por Jesus do outro. Os discípulos são os figurantes que pedem a expulsão da inoportuna estrangeira. A cena recebe a marca da profissão de fé judaica em Deus que veio salvá-los. Dignas de nota são as três intervenções da mulher, contrastadas com as três respostas de Jesus. A mulher, em Mateus chamada de cananeia, representa os pagãos, aqueles que não têm fé nem aceitam a proposta de Jesus. E o evangelho termina de forma contundente: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como queres!”. Aquela que era considerada pagã torna-se testemunha viva de que Jesus, o filho de Davi, podia agir com misericórdia e curar-lhe a filha, o que de fato ocorreu. A fé da mulher é tamanha que Jesus não vê outra saída a não ser atender o seu pedido. A sua fé contrasta com a pouca fé dos discípulos de Jesus. A mulher de fé pode. Ela acabou mudando a visão da comunidade sobre a missão fora de Israel. A cananeia ensinou que a misericórdia de Deus está para além das fronteiras.
DIA DOS PAIS
Neste segundo domingo de agosto nossas famílias se reúnem para comemorar o Dia dos Pais. A Bíblia lembra que é necessário oferecer dignidade de vida aos pais idosos, seja do ponto de vista humano, seja do ponto de vista econômico.
Do mesmo modo que um dia fomos indefesas crianças que poderiam morrer se não fosse o amparo dos pais, agora, na velhice ou na doença, eles merecem a nossa atenção redobrada, como forma de gratidão a eles e a Deus, que nos deu a vida. A todos os pais, o abraço de um filho que, pela primeira vez, não poderá cumprimentar o seu, já que ele se encontra na casa do céu.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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