Na hora de fazer um churrasco com os amigos ou a família, uma das primeiras providências é correr até o açougue mais próximo para garantir carne macia e aquela tulipa temperada que fazem o maior sucesso. O que muitos consumidores não sabem é que nem todos os estabelecimentos podem vender a carne temperada. O item está entre os campeões na lista de autuações da Vigilância Sanitária no primeiro semestre deste ano. Em seguida, vêm o armazenamento inadequado e o prazo de validade vencido. O órgão conta com oito fiscais para inspecionar 3.200 estabelecimentos que comercializam alimentos em Franca.
Em seis meses, foram 507 inspeções, 44 procedimentos administrativos e apreensão de mais de 700 quilos de carne. Além de autuações e interdições, os estabelecimentos com irregularidades também estão sujeitos ao pagamento de multas. “Após o auto de infração, ele tem 10 dias para a defesa, que é avaliada. Depois do despacho, dependendo da gravidade, ele é punido com multa, advertência ou apreensão de produtos”, explica Baldochi. A punição é calculada em Ufesp (Unidades Fiscal do Estado de São Paulo), podendo chegar a R$ 174 mil.
Os números registrados nos seis primeiros meses de 2011, no entanto, são menores que os registrados no mesmo período do ano passado -1.900 quilos de carnes e 59 autuações. O motivo, segundo Fernando Baldochi, diretor da Vigilância Sanitária no município, seriam os cursos promovidos pela prefeitura para os manipuladores de alimentos. “Todo mês oferecemos gratuitamente 40 vagas para um treinamento, o Curso de Boas Práticas de Manipulação. Isso tem dado resultado positivo na hora de fiscalizar e de encontrar irregularidades. Essa gradativa diminuição tem ocorrido em função desse trabalho que já dura três anos”, avalia Baldochi.
Os estabelecimentos que ainda não foram notificados para fazer o curso, que tem carga horária de oito horas, podem fazer a inscrição dos seus funcionários no site da prefeitura (www.franca.sp.gov.br), no link “Caminhos para o emprego” ou então na Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura. “São ministradas noções sobre higiene e conduta pessoal, legislação, doenças transmitidas por alimentos, vigilância, saúde do trabalhador e documentação”, explica Baldochi.
TEMPERADOS
Muitos consumidores não sabem, mas para vender produtos derivados de origem animal, manipulados ou temperados, os estabelecimentos precisam de uma autorização do SIM (Serviço de Inspeção Municipal) - o código aparece na etiqueta colada na embalagem. “Fora isso, ele só pode receber a carne in natura, fatiar ou moer na frente do cliente e entregar”, explica o diretor da Vigilância Sanitária.
Portanto, a tulipa temperadinha ou o espetinho pronto para assar em casa, que você está acostumado a comprar, pode oferecer riscos à saúde. “Esses procedimentos tempero envolvem manipulação, adição de condimentos e de outras especiarias na carne e precisam ser feitos em ambiente apropriado e sob supervisão e responsabilidade técnica”, alerta Baldochi.
E o açougue do seu bairro que vende um espetinho assado delicioso, que já virou febre em Franca, precisa do registro? “Não. Porque a carne assada é considerada um produto pronto e enquadra na legislação de rotisseria”, explica Jacinto Chiareli Júnior, diretor do SIM.
Em Franca, dos 3.200 estabelecimentos que comercializam alimentos, apenas 70 possuem o selo do SIM, que é fornecido pelo setor ligado à Secretaria de Desenvolvimento. Esse código - visível no rótulo das embalagens e afixado na parede - avisa que a empresa tem infraestrutura e toda a documentação necessária. “O pedido do selo SIM é feito no setor de Protocolo. Em seguida, é encaminhado ao Serviço de Inspeção, que notifica a empresa e faz uma visita preliminar para verificar se ela tem condições adequadas. Para isso, a empresa precisa contratar um responsável técnico, providenciar rótulos, embalagens, registrar os produtos e ainda ter uma sala apropriada e refrigerada para manipular os alimentos”, explica Paulo Roberto Ferreira Pinto, médico veterinário do SIM.
Paulo Roberto Covas Silva, proprietário da Casa de Carnes Distak, tem o selo há oito anos e afirma que os produtos manipulados têm boa aceitação. Dos seus 12 funcionários, quatro trabalham na produção desses alimentos, sendo que dois já fizeram o Curso de Boas Práticas de Manipulação. “O investimento valeu a pena e hoje ainda consegui um diferencial: os frangos e peixes, por exemplo, ganharam uma embalagem especial de polinylon que pode ir direto para o forno”, ressalta, afirmando que o preço das carnes manipuladas é idêntico ou até mais barato que o das in natura.
Observe bem antes de comprar
Local adequado
.: Verifique a limpeza do estabelecimento e se não há indícios de inseto ou roedores
.: Os funcionários que estão em contato com o alimento devem estar uniformizados, com o cabelo coberto, as mãos limpas e sem enfeites (no caso de mulheres, a unha sem pintura) e calçados fechados. Também não podem manipular alimento e dinheiro ao mesmo tempo e nem fumando
.: Observe a procedência das carnes e se o alvará da Vigilância Sanitária está em local visível
Dicas
.: Deixe a parte de frios e carnes para o final da compra para que o tempo de espera entre o transporte e a refrigeração novamente (na sua geladeira) seja mínimo
.: Para reclamar ou denunciar irregularidades nos estabelecimentos que comercializam alimentos ligue para (16) 3711-9415
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