Casamento gay


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Se analisarmos pelo prisma da sobrevivência, é possível entender a atração entre seres humanos de sexos opostos, como, aliás, acontece com qualquer outra espécie do reino animal.

Porém, essa atração não consegue explicar os sentimentos. Mesmo que voltemos às mais remotas eras da história, dificilmente encontraremos provas de que o amor só acontece entre pessoas de sexos diferentes. Ao contrário, se lembrarmos da Grécia antiga, por exemplo, vamos perceber que o homossexualismo era bastante natural, sobretudo entre os valentes guerreiros espartanos.

Nesse sentido, é possível dizer que o preconceito em relação aos homossexuais é histórico, não natural. Por uma série de razões, a partir de determinado momento a sociedade passou a recriminar essas relações. Por força da influência do cristianismo, passou mesmo a persegui-las, proibindo veementemente suas manifestações.

Durante muito tempo, os homossexuais foram obrigados a esconder seus sentimentos, vivendo amores perigosos e escondidos, sobretudo em um país como o Brasil, de forte tradição católica.

Porém, como não é algo natural, a evolução da sociedade foi minimizando esse preconceito. Mais tolerantes, as pessoas começaram a reconhecer o direito de todos ao amor, livre de diretrizes ideológicas ou religiosas. Formaram-se, então, inúmeros casais ‘gays’, masculinos e femininos, que se assumiram perante a sociedade, passaram a conviver sob o mesmo teto e a lutar por seus direitos de cidadãos.

Mais recentemente, em decisão inédita, o STF reconheceu o direito à união homoafetiva. Por meio desse reconhecimento, os homossexuais puderam, finalmente, acessar inúmeros direitos que antes estavam restritos a casais heterossexuais.

Na verdade, esse reconhecimento deu-se apenas na esfera burocrática, no âmbito da cidadania, pois na vida cotidiana essas relações já aconteciam há muito tempo, mesmo que um pouco mais escondidas.

De qualquer forma, foi uma vitória da liberdade e da democracia. Mesmo que tardia e a reboque dos acontecimentos, a decisão do supremo revestiu-se de um forte simbolismo. Não acaba de vez com o preconceito, pois decretos e leis não têm esse poder. Porém, ao garantir direitos aos homossexuais, impulsiona e ajuda a sociedade a se livrar desse preconceito letárgico.

Nesse sentido, a proibição do casamento gay em Franca é totalmente anacrônica, uma idéia fora do lugar. Como não pode atingir os direitos conquistados, apela para o emocional que envolve a questão. Apenas cria polêmica e incita à repulsa aqueles que ainda não se conformam com essa realidade.

Em tese, nada mudará. Casados ou não, os gays que já moram juntos continuarão dessa forma, até que eles mesmos se decidam pela separação. Aqueles que quiserem viver juntos, irão de qualquer forma, a despeito de casamentos legais, união estável, Supremo, religião ou juízes.

Apesar do retrocesso, porém, é bom perceber que a sociedade parece estar a frente de seu judiciário em termos de liberdade e democracia.

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