Ontem o trânsito de Franca amanheceu sem fiscalização. Isso porque entrou em vigor nesta quinta-feira a Lei Municipal que proibiu a Guarda Civil de atuar no controle do tráfego na cidade. Agora o município torce para que o Estado ratifique logo a renovação do convênio da Polícia Militar com a Prefeitura, garantindo assim pelo menos parte da ordem nas ruas da cidade.
Ao volante, os francanos dizem ter percebido a diferença. Para o motorista José Rodrigues, em Franca, a preocupação é sempre dupla. “Você tem que dirigir para você e para os outros”. O taxista José Alves, 66, que atua no Centro, acredita que o trânsito - que já era conturbado da cidade - ontem ficou ainda pior por causa da imprudência. A falta de cautela dos condutores francanos também deixa a estudante Paloma Marques Camargos, 20, receosa. Transitando com uma motocicleta, sente-se exposta. “Bati semana passada, a pessoa deu seta em cima da curva, estava chovendo e não conseguiu frear.”
As altas velocidades também preocupam. No último dia 14, a Polícia Militar recolheu os radares de velocidade e passou a fiscalizar apenas as infrações de competência do Estado, como falta de documentos, dirigir alcoolizado ou sem o cinto de segurança. O taxista Valtemir Donizete Barbosa, 42, acredita que correr o risco de ser multado é um preço pequeno a se pagar pela segurança. “Nós, motoristas, às vezes, nos descuidamos e acabamos acelerando um pouquinho mais.”
O secretário de Segurança e Cidadania do município, Sérgio Buranelli, explica que o excesso de velocidade “involuntário” já é um dos efeitos psicológicos da ausência de fiscalização. “A sensação de não estar sendo fiscalizado faz com que o pessoal se sinta a vontade para andar do jeito que quiser. Isso é uma situação muito perigosa para Franca”, alertou.
E quem estava acostumado a contar com a ajuda dos guardas, continuou ligando para a Prefeitura ontem em busca de socorro. Carros parados em frente garagens, em cima de canteiros, pontos de ônibus e outros locais proibidos foram as ocorrências mais frequentes. Buranelli, que teme que a fluidez do trânsito, principalmente na área central onde as ruas são mais estreitas e o movimento é mais intenso, seja prejudicada. “No Centro, temos área de carga e descarga. Os caminhões têm que estacionar lá no centro para abastecer as lojas. Com a falta de fiscalização, os caminhões vão começar a parar em fila dupla.”
Sem poder atuar no trânsito, os 60 funcionários da Guarda Municipal têm seu expediente restrito a tratar da segurança de prédios públicos, como o Pronto Socorro, o Paço Municipal e o Pátio Modelo.
RELEMBRE O CASO
A Guarda Civil Municipal foi proibida de fiscalizar o trânsito depois que o vereador Joaquim Pereira Ribeiro (PSB) apresentou uma emenda ao projeto de renovação do convênio com o Estado para autorizar a PM fiscalizar também infrações de competência do município, como excesso de velocidade e estacionamento em local proibido.
A emenda ainda chegou a ser vetada pelo Prefeito Sidnei Rocha (PSDB), mas na semana passada os vereadores derrubaram o veto e a nova Lei foi promulgada ontem pelo presidente da Câmara Municipal, Marco Garcia (PP), quando passou a valer.
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