Hiroshima e Nagasaki


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No último dia 6 de agosto, o mundo e, principalmente, o Japão, lembraram, consternados, dos 66 anos da bomba atômica que arrasou Hiroshima e matou de forma imediata mais de 120 mil pessoas.

Posteriormente às detonações, milhares de outras pessoas morreram em decorrência dos efeitos radioativos. Estima-se que mais de 275 mil pessoas morreram em consequência, direta ou indireta, da explosão de 6 de agosto de 1945.

Exatamente às 08h14min de Hiroshima – 20h14min no Brasil –, no Parque Memorial da Paz de Hiroshima, um minuto de silêncio foi quebrado por várias badaladas em uma cidade que hoje possui mais de 1 milhão de habitantes e que ainda conta com cerca de 68 mil sobreviventes da bomba atômica, quase todos septuagenários e octogenários.

A cidade, porém, não consegue esquecer o episódio, não obstante o tempo decorrido. Sem dúvida um acontecimento que o mundo não quer mais ver. Tenho a tênue esperança de que ninguém mais morrerá desta maneira no planeta.

Recentemente, lendo a obra do americano Charles Pellegrino, intitulada O último trem de Hiroshima, Editora Leya, pude aquilatar o sofrimento vivenciado pelo povo japonês com as bombas de Hiroshima e Nagasaki. O livro se valeu de documentos oficiais da época e, principalmente, de depoimentos inéditos dos aviadores americanos que participaram da ação e de japoneses que sobreviveram à bomba.

O autor – que também escreveu sobre o Titanic e construiu livro que foi utilizado pelo diretor James Cameron para filmar o sucesso de bilheteria –, traz relatos impressionantes e comoventes de alguns sobreviventes.

Confesso que relutei muito para conseguir terminar a leitura da obra. O texto, a meu ver essencial, também tenta explicar as estratégias políticas e militares, bem como os não confessados motivos que impulsionaram o uso de uma arma nuclear com tamanha capacidade de destruição.

Foca um grupo de 30 pessoas que saíram de trem de Hiroshima com destino a Nagasaki e chegaram à cidade justamente no momento em que a segunda bomba atômica foi detonada.

Narra, também, detalhes comprovados de premonições de pessoas em relação à destruição da cidade naquela manhã de 6 de agosto. O fato é que o mundo ainda precisa rever a proliferação descontrolada das armas nucleares, deliberando-se, de forma uníssona, pela abolição total delas.

Também as políticas energéticas, com o uso cada vez mais crescente de usinas nucleares precisa e deve ser revista com medidas concretas e efetivas. e não meramente retóricas, já que fenômenos da natureza, como o terremoto ocorrido recentemente no Japão, trazem grandes e concretos riscos de novas catástrofes nucleares, como a quase ocorrida na usina nuclear japonesa de Fukushima.

Hiroshima e Nagasaki, hoje, fazem parte da história da humanidade. Porém, devem ser lembradas sempre para que fatos que transformam racionais em irracionais, homens em bestas, não venham a se repetir e envergonhar a raça humana.

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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