Trânsito sem fiscalização


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Não é novidade para ninguém que o trânsito nas cidades está cada vez mais perigoso, sobretudo nas maiores, grandes ou médias, que funcionam como centros regionais de serviços. Ao oferecer variadas possibilidades de emprego e melhor qualidade de vida acabam atraindo cada vez mais pessoas.

Com mais habitantes, a cidade se obriga à verticalização, aumentando o número de pessoas em um mesmo espaço urbano. Como as ruas não se alargam automaticamente, o espaço individual vai diminuindo aos poucos, gerando transtornos, estresse, brigas e transgressões.

Para além de um trânsito carregado e violento, as maiores cidades brasileiras já vivem uma verdadeira guerra. E do jeito que as coisas estão, Franca já caminha a passos largos para ela.

Para tentar coibir essa situação, ou ao menos minimizar seus efeitos, é fundamental a criação de estratégias e regras. As primeiras se voltam para o planejamento de ações que possam diminuir o número de veículos nas ruas e tornar o trânsito mais civilizado. Geralmente contemplam o longo prazo. Implantar ciclovias, investir na educação de condutores e melhorar o transporte público, por exemplo, poderiam ser algumas dessas possibilidades.

As segundas, de efeito mais rápido, concentram-se na criação de códigos e leis, obrigando motoristas e pedestres respeitarem os interesses da coletividade em detrimento dos seus desejos individuais.

No entanto, sabemos como é difícil a aplicação dessas leis. Os artigos e incisos que se estabelecem no papel, não têm o mesmo desempenho na prática diária do cotidiano.

Os motivos, todos conhecem: a fiscalização é sempre precária, por falta de pessoal habilitado, equipamentos e recursos. Com isso o país vai se acostumando com as famosas leis que não pegam. O trânsito é pródigo delas.

Nesse sentido, beira o absurdo o posicionamento de nossa Câmara Municipal. Proibir a Guarda Municipal de fiscalizar as ruas é, no mínimo, atentar contra a segurança de nossa população. Se mesmo com todos os efetivos disponíveis já fica difícil monitorar todas as ruas e os mais de 200 mil veículos circulando, imaginem com eles divididos.

Independentemente das disposições da Resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que instituiu a tabela de distribuição de competências dos órgãos executivos de trânsito, é fundamental somar os esforços do município com aqueles do Estado que aqui atuam.

Mais uma vez, fica parecendo que a decisão se respaldou mais pelas questões políticas do que pelo interesse da população. Já é hora de mudarmos essa história. Se é preciso uma lei municipal para que a Guarda possa realizar esse trabalho, por que então a Câmara - que deveria estar atenta às necessidades e demandas da sociedade que representa - não cria essa lei?

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